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segunda-feira, 22 de abril de 2013

Droga: Veneno que Ameaça o Mundo!!

Da Redação do Correio Fraterno do ABC

Ao falar sobre drogas hoje, os pais expressam uma das maiores preocupações. O medo é justificável: a popularidade das drogas entre crianças de 10 a 12 anos é cada vez maior. A exposição das crianças ao perigo também. A dependência pode destruir relações familiares e de amizades. Provoca danos irreversíveis e até, nos casos extremos, a morte. O alarme, porém, só toca quando as drogas já estão dentro de casa. Pesquisas da Associação Parceria Contra Drogas mostram que, hoje, quatro em cada dez crianças já experimentaram maconha. Se você é dos anos 60 ou 70, certamente sabia mais sobre drogas do que seus pais. E agora seus filhos sabem mais do que você.

O mundo das crianças de hoje não é fácil. É mais complexo, estressante, com um acesso às drogas alarmante. Veja:

- O LSD é oferecido para crianças na forma de desenhos coloridos, com personagens de histórias em quadrinhos;

- O Crack está disseminado e pode ser encontrado em qualquer esquina;

- O acesso a bebidas, cigarros e medicamentos que contenham em sua fórmula algum componente alucinógeno dentro de casa facilita a iniciação do jovem;

- As festas rave, são verdadeiras feiras de drogas, principalmente ecstasy, maconha e cocaína.

Os hábitos começam cedo

Não é só na escola que as crianças aprendem. A rua, os amigos, a televisão, o cinema também são grandes professores. Há ainda as novas fontes de informação a que elas têm acesso, antes mesmo dos pais: Vídeo, cds, revistas, internet, emails, sites de bate-papo. E isso tudo pode ser uma grande porta de acesso ao vício. Mesmo não promovendo as drogas diretamente, essas informações podem passar a impressão de que usá-las é normal e até esperado em determinada idade. E é chocante a facilidade (e o preço!) para obter a droga.

A idade média com que as crianças começam a fumar cigarros é 12 anos. Experimentar álcool aos 13. E fumam o primeiro cigarro de maconha aos 14. E muitos jovens que usam drogas começaram antes dos 10 anos.

Poderia ser o seu filho

Acreditar que seu filho nunca vai se envolver com drogas é um grande perigo. Pesquisas mostram que o acesso das primeiras crianças às drogas é muito mais fácil do que os pais imaginam. Porém, não há ninguém melhor do que os pais e professores para vencer o desafio de manter um jovem longe da droga.

Estudo realizado pela Parceria em janeiro de 1999 em cinco capitais brasileiras mostrou que, quando um jovem se sente próximo da família, tem menos chances de se envolver com álcool, cigarro e outras drogas. Confirmou-se o que muitos pais acreditam: primeiro, eles podem ensinar os filhos a ver as drogas como um problema sério. segundo, eles podem influenciar as decisões dos filhos em idades escolar - fase em que a criança estrutura sua posição em relação às drogas. O que parece faltar é orientação sobre como tratar a questão, tão complicada e difícil de abordar. Por isso a Associação Parceria Contra as Drogas desenvolveu um guia, com base em um modelo criado por uma organização semelhante nos Estados Unidos. O propósito é preparar você, pai, para conversar sobre drogas com seu filho e responder às dúvidas que ele possa ter.

Mantenha o diálogo

Converse bastante com seu filho sobre drogas. E seja claro. Estudos mostram que os filhos gostariam que os pais conversassem mais com eles.

Os pais precisam se educar: para conversar sobre drogas é preciso estar tão bem informado quanto seu filho. Você deve saber sobre as drogas mais comuns, os efeitos no cérebro e no corpo, os sintomas que provocam, as gírias e como são utilizadas.

A adolescência é um período cansativo para a família. A comunicação é complicada. Mas se você conseguir fazer seu filho crescer sem saber, fumar ou tomar drogas, as chances de ele manter hábitos saudáveis na vida adulta são grandes. A influência dos pais desde cedo pode poupar o filho de experiências negativas associadas ao uso de drogas; pode até mesmo salvar a sua vida. Também é importante lembrar seus filhos que o perigo não está somente no uso constante de álcool ou drogas. O ocasional também pode trazer conseqüências: perder provas ou trabalhos escolares; provocar acidente de carro; sofrer um ataque no coração. Pautando por essas instruções, você aprenderá a usar melhor sua força, seu amor e sua preocupação para ajudar seu filho a se situar bem no mundo, promovendo seu bem-estar e mantendo-o distante das drogas.

Ajudará também você a educar o jovem num mundo difícil, onde existem tentações e obstáculos o tempo todo. Enfim, será seu guia de vida.

Crianças aprendem com exemplos, com os valores que os pais demonstram por suas ações. Ficam sensibilizados quando vêem que os pais se preocupam com elas o tempo todo. Mas devemos estar alertas. Mentiras "inocentes", como esconder a idade, transmite uma mensagem estranha à criança. "Não é errado mentir?", ela vai se perguntar. Se você proíbe cigarros dentro de casa, como pode deixar um amigo quebrar a regra? Se diz que beber em excesso é um problema, como pode rir de um personagem bêbado em um filme? Situações assim confundem a criança. Ela só vai poder discernir o certo do errado baseada em um sistema de valores verdadeiro. E baseada nisso decidirá usar drogas ou não; beber ou não.

Você pode expor seus valores explicando por que decidiu agir de determinada maneira em determinada situação. Se você e seu filho vêem uma pessoa cega tentando atravessar a rua, por exemplo, ofereça ajuda e aproveite para discutir por que é importante ajudar os outros. Também pode explorar questões morais propondo hipóteses para ser discutidas num momento apropriado. Por exemplo: "O que você faria se uma pessoa andando à sua frente deixasse cair uma nota de 10 reais?" ou, "O que faria se um amigo tentasse convencê-lo a matar aula para jogar videogames?" Para ensinar a moral é preciso exemplificar com situações concretas como essas.

Planejando a união familiar

Não é sempre possível tempo para conversar sobre drogas com seu filho. Uma vida agitada e cheia de compromissos não facilita a convivência. Para garantir alguns momentos juntos, tente agendar:

- Reuniões de família: realizadas uma vez por semana em horário combinado, as reuniões são o momento ideal para discutir projetos, falar de disciplina, comemorar sucessos, esclarecer diferenças e qualquer assunto relativo a um dos membros da família. Estabelecer algumas regras ajuda. Por exemplo: todos devem ter chance de falar; quando um fala os outros escutam sem interromper. As críticas devem ser construtivas. Para vencer eventuais relutâncias, agregue algum incentivo, por exemplo, pizza depois da reunião. É importante os pais comandarem.

No Ritual do dia-a-dia: você pode estabelecer que, uma vez por semana, buscará seu filho na escola e juntos tomarão um sorvete. Depois do jantar ou antes de deitar, reserve alguns minutos para conversarem sobre os acontecimentos do dia. Estabeleça a rotina de bater papo - a comunicação é essencial para educar uma criança contra as drogas.

Esclarecendo a sua posição

Não julgue que seu filho conhece a sua posição sobre álcool, cigarro e drogas ilícitas. É preciso falar com ele e deixar a sua posição bem clara. Se você for ambíguo e pouco firme, há o risco de ele querer experimentar. Diga-lhe que o proíbe de fumar, beber e usar drogas porque você se preocupa com ele. (Não tenha medo de parecer emocional demais. Você pode dizer: "Se você usar droga eu vou ficar muito triste e decepcionado com você). Se uma criança tem dúvidas se pode ou não fumar, beber ou usar alguma droga, vai sempre se perguntar: "O que meus pais achariam disso? "As drogas são uma das questões mais presentes na cabeça dos jovens hoje. Mesmo que a criança pareça desinteressada, ela quer orientação dos pais e precisa dela.

Discuta os castigos antes de aplicá-los

Estabelecer regras e limites não afasta os filhos dos pais. Eles gostam de saber que seus pais se esforçam para educá-los. Estabelecer o que é permitido ou não, determinar um horário para voltar para casa e exigir que telefonem e digam onde estão faz com que os filhos se sintam amados e seguros. Porém não aplique penalidades que não tenham sido discutidas antes. Isso não é justo. Os castigos devem corresponder aos limites impostos, de tal forma que seus filhos entendam que há um resultado muito previsível quando uma regra é quebrada. As penalidades que você determina devem ser razoáveis e relacionadas com a infração. Por exemplo, se você pega seu filho fumando, pode restringir suas atividades sociais por uns dias, mantendo-o em casa. Aproveite para fazê-lo ler artigos sobre cigarro e mostre quanto se preocupa com sua saúde e com a possibilidade de ele se viciar. É perfeitamente compreensível que os pais fiquem bravos quando a ordem de casa é rompida. Demonstrar raiva, decepção ou tristeza pode até surtir efeito motivador no filho. Mas como nós costumamos falar o que não devemos quando nervosos, é melhor esfriar a cabeça e deixar para discutir de forma mais positiva depois. Ameaças como: "Seu pai vai te matar quando chegar em casa" nunca surtirão efeito. Quando as regras da casa forem cumpridas, mostre para seu filho que você está feliz. Elogie o seu comportamento. Enfatize as coisas boas que ele faz, em vez de focar só o comportamento errado. Quando os pais fazem elogios, as crianças aprendem a se sentir bem com elas mesmas e desenvolvem auto confiança para acreditar na sua capacidade de julgamento.

Dando o exemplo

No mundo adulto, a bebida é uma prática aceitável. É perfeitamente normal tomar vinho no jantar, caipirinha no almoço ou cerveja no fim de semana. Mas você estará enviando uma mensagem errada se preparar um drinque com a intenção de aliviar a tensão ou curar uma tristeza ou beber até perder o controle. Embora não haja restrições legais ao consumo de cigarros, os efeitos negativos que provocam à saúde são muito grandes. Se a criança pergunta aos pais por que fumam, eles podem explicar que quando começaram a fumar não sabiam o mal que os cigarros causam e que, depois que se começa, é muito difícil parar. Os jovens podem evitar os mesmos erros de seus pais, pois têm mais informações. Pais que usam drogas colocam em risco a sensação de segurança e proteção da criança e comprometem seus códigos de moral. E não pense que os filhos não vão descobrir.

Eles vão, e assim que isso acontecer sua autoridade e credibilidade irão para o espaço. Pai e mãe são o modelo mais próximo e mais importante da criança. Se eles não respeitam a lei, por que o filho deveria respeitar? Se você tem problemas com álcool ou qualquer outra droga procure ajuda profissional. Essa ajuda está disponível em centros de tratamento e grupos de auto-ajuda como Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos.

Pergunte o que os amigos dele fazem depois da escola, quais as atividades ele acha legal e quais não acha, e por quê. Encoraje a conversa com frases do tipo: "Isso é bem interessante" ou "Eu não sabia disso, que bom você contar". Aproveite esses momentos para tocar no assunto das drogas. Comente sobre o perigo. Se você puder dar essa informação antes de ele deparar pessoalmente com elas, ele vai estar mais preparado para dizer "não". Especialistas dizem que os jovens que conversam sobre drogas com os pais têm menos chance de querer experimentá-las. Não pense que ao falar sobre drogas com seu filho você vai estar colocando idéias na cabeça dele. É a mesma coisa achar que falar sobre sexo ele vai contrair alguma doença. Ao comentar sobre o assunto, você estará informando seu filho sobre o perigo próximo e o preparará para enfrentar esse perigo. Para introduzir o assunto, pergunte ao seu filho o que ele já ouviu sobre drogas na escola ou com os amigos e o que pensa sobre elas. Ele pode até mencionar pessoas que as utilizam. Se você escutar alguma coisa ruim ("Eu bebi cerveja na festa" ou "Meu amigo fuma maconha"), não reaja. Uma reação negativa sua pode impedir a próxima conversa. Se ele parecer defensivo ou garantir que não conhece ninguém que use drogas, pergunte: "Mas por que você acha que as pessoas usam?" Discuta sobre os riscos, as conseqüências; pergunte se ele acha que vale a pena correr os riscos, as conseqüências. Lembre-o: experimentar já é um grande perigo, nossa vida pode mudar radicalmente ou até mesmo acabar se atravessarmos uma rua movimentada quando os nossos reflexos estiverem mais lentos... Se a conversa for interrompida, retome-a tão logo seja possível.

Oportunidade para ensinar

Outra maneira de conversar sobre as drogas é aproveitar as oportunidades do dia-a-dia. Se você e seu filho estão andando na rua e vêem um grupo de adolescentes bebendo, converse com ele sobre os efeitos negativos da bebida alcoólica. Os jornais estão cheios de notícias relacionadas ao abuso da bebida e de outras drogas. Aproveite para perguntar ao seu filho o que ele acha do adolescente que bebeu e sofreu um acidente de carro; ou sobre a mãe que usava droga e foi presa. Eles tomaram a decisão certa ao se drogarem? Assista televisão com o seu filho. Pergunte se ele acha que os filmes e as propagandas mostram as drogas como uma coisa normal e rotineira. E o lado ruim, eles mostram? Quando houver uma notícia envolvendo drogas, ressalte todas as conseqüências para a família e para a sociedade. Lembre-o que drogas podem causar ou agravar tragédias, como violência em família, estupro, transmissão da AIDS, suicídio e gravidez indesejada. Sempre que passar um comercial antidrogas na televisão, fale sobre ele com seu filho. É um momento bastante apropriado para isso. Os comerciais da Parceria oferecem boas oportunidades de conversa.

Depoimentos extraídos de pesquisa sobre o tema maconha

"Pai e mãe têm vergonha de falar, filho também. Inclusive sobre sexo. Mãe acha que nunca vai acontecer."

"Tem que ser liberal. Se ficar fechado, não vai acompanhar. O pai tem que ficar esperto com o filho para ver o que ele tá fazendo."

"A pessoa quer saber o gosto que tem."

"começa quando tá com raiva. Depois não volta."

"Tem vários motivos. Revolta, pouco dinheiro, separação dos pais."

- Quando um jovem se sente próximo da família, tem menos chances de se envolver com álcool, cigarro e outras drogas. Os pais devem fazer os filhos enxergarem as drogas como um problema sério e ensiná-los a dizer "não".

Por que não deixar seu filho fumar maconha

Alguns pais que usaram ou viram a maconha ser usada na juventude se perguntam:

"Será que a maconha é mesmo tão ruim para os meus filhos? "

A resposta é um grande e enfático SIM. E por diversas razões:

- Ela é ilegal;

- Ela tem hoje um nível de THC (princípio psicoativo) cinco vezes mais alto do que nos anos 60 e 70;

- Há relatos de aumento na incidência da síndrome do pânico entre usuários de maconha.

- Provoca desmotivação, facilitando o abandono dos estudos;

- Um cigarro de maconha tem tantos elementos cancerígenos quanto um maço de cigarros comuns;

- Fumar maconha ou andar com quem fuma pode significar estar exposto tanto a outras drogas como a problemas com a lei;

- O uso da maconha pode diminuir os reflexos e provocar visões distorcidas da realidade;

- Prejudica o desempenho nos esportes; diminui a sensação de perigo e aumenta o risco de acidentes; provoca a perda de capacidade de concentração e da memória momentânea;

- Adolescentes que se apóiam na maconha deixam de enfrentar as dificuldades normais do crescimento e de aprender as lições emocionais, psicológicas e sociais;

- A droga influencia na atividade cerebral, podendo prejudicar o desenvolvimento do cérebro e do corpo.

- Converse com seu filho sobre os riscos de usar drogas. Pergunte se ele acha que vale a pena correr tais riscos. Os jovens costumam dar importância a discussões sobre como as d r o g a s p o d e m estragar s u a chance de entrar em uma b o a faculdade ou conseguir o primeiro emprego.

Preparando o terreno

O que os pais dizem e fazem em relação às drogas influencia diretamente as escolhas dos filhos no futuro. Eles são o modelo mais importante. Por isso, devem sempre:

- Dar-lhes atenção e carinho;

- Dar-lhes bons exemplos e mostrar interesse por sua vida;

- Encorajá-los a ser responsáveis;

- Participar de atividades das crianças, conhecer seus amigos, saber aonde vão e o que fazem, como vão voltar para casa e com quem;

- Desenvolver projetos e atividades junto com eles;

- Ensiná-los a fazer escolhas certas, pensando no futuro;

- Discutir os riscos das drogas desde cedo e sempre.

"Você já usou drogas?"

Nas conversas sobre drogas, uma das perguntas mais comuns que os filhos fazem aos pais é: "Você já usou? " A não ser que a resposta seja "não", é difícil saber o que dizer, porque quase todos os pais que já usaram drogas não querem que os filhos usem. E isso não é hipocrisia. É querer o melhor para seus filhos, porque hoje esses pais compreendem os perigos das drogas, quando eram jovens não entendiam. O pai que esconde do filho que usou drogas na juventude pode ter sua confiança abalada se a criança descobrir. Por isso, quando for feita essa pergunta, a melhor saída é dizer a verdade. O que não significa relatar suas experiências em detalhes. assim como nas conversas sobre sexo, algumas coisas devem ser reservadas. Evite dar mais informações do que foi solicitado pela criança. Faça perguntas esclarecedoras para ter certeza de que você entendeu exatamente o que seu filho está perguntando antes de responder. Limite sua resposta às informações pedidas.

Como os avós podem ajudar

Os avós têm um papel especial na vida das crianças e, diferentemente dos pais, tiveram mais tempo para se preparar para esse papel. Eles já passaram por altos e baixos correndo atrás dos próprios filhos. Por isso têm uma abordagem mais calma e equilibrada para interagir com os netos. Os avós podem servir como modelos mais estáveis e maduros quando precisarem assumir alguma responsabilidade com os netos. E têm uma vantagem sobre os pais: o relacionamento com as crianças é menos complicado, menos arbitrário e mais distantes dos problemas do dia-a-dia.

Os avós podem usar a intimidade e a confiança que inspiram para reforçar as lições ensinadas pelos pais sobre auto-respeito e vida saudável. Quando demonstram preocupação perguntando: "alguém já lhe ofereceu drogas? " ou "por que seus olhos estão vermelhos?", provavelmente ouvirão respostas mais honestas, especialmente se conseguirem mostrar que não vão julgar nem punir ninguém. Os netos tendem a ser menos defensivos e mais predispostos a ouvir seus conselhos sobre drogas. Os avós também os ajudarão reforçando mensagens positivas e o bom comportamento.

Onde procurar informação e apoio

APCD, que é voltada para o trabalho de prevenção, entende que deve contribuir com as informações necessárias para quem precisa recorrer a centros de recuperação, as comunidades terapêuticas, ambulatórios, recursos comunitários e prevenção. A Secretaria Nacional Antidrogas oferece um serviço gratuito de informações pelo telefone: 0800-614321.

As drogas que estão na sua despensa

Produtos domésticos como removedor de esmaltes, de limpeza, sprays e solventes podem ser utilizados como inalantes. Isso é um perigo e um problema, porque estão dentro de casa e passam desapercebidos. Por estarem disponíveis, são uma droga popular entre os jovens. Uma pesquisa da Parceria mostra que 13,8% dos jovens estudantes do ensino médio das principais capitais brasileiras já usaram algum tipo de inalante. Você deve falar com seu filho sobre as conseqüências do abuso: esses produtos privam o corpo de oxigênio e podem causar inconsciência, danos no cérebro e no sistema nervoso e em casos mais graves, até mesmo a morte.

NOTA DO COMPILADOR: O contexto dessa matéria baseia-se num manual preparado pela APCD, com o apoio de psiquiatras, psicoterapeutas, advogados e psicólogos.

(Publicado no Correio Fraterno do ABC Nº 363 de Abril de 2001)


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O corpo e o espírito


Bernardino da Silva Moreira

O físico alemão Werner Karl Heisenberg (Wúrzburg 1901- Munique 1976), foi um dos fundadores da teoria quântica de diversos trabalhos em física quântica e formulou, em 1927, na forma de desigualdades (que levam seu nome), o princípio da incerteza inerente e toda medição física. As relações de Heisenberg fornecem, assim, os limites além dos quais não se podem empregar os conceitos da física clássica. Trocando em miúdos, o que o  grande físico (prêmio Nobel de Física de 1932) descobriu é que no deslocamento da partícula, nem sempre, a mesma seguia a rotina física da sua trajetória considerada como normal. A teoria da incerteza de Heisenberg, foi testada a partir de 1975, pelo físico norte-americano Murray Gellmann (prêmio Nobel de Física, 1969) que à frente do acelerador de partículas (aparelho fermi) da Universidade de Stanford, conseguiu obter seu primeiro resultado de uma série que confirmou que a “teoria da incerteza” de Heisenberg é uma verdade tão sólida quanto os postulados matemáticos da Física moderna. Com esse pontapé inicial Heisenberg jogou a Física para os páramos da Metafísica, pois, se as partículas tinham “vontade própria...”

A questão é: há na intimidade da matéria alguma coisa ou princípio inteligente? Sem dúvida, pois, além da matéria propriamente dita temos também o espírito, elemento inteligente do Universo cujo papel é “intelectualizar a matéria”. Para que não fique dúvida, iremos a questão 27, de “O Livro dos Espíritos”, onde podemos ler:

“Há então dois elementos gerais no Universo: a matéria e o Espírito?

“Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisa; Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas, ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dira, por demais grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre ela...”

Pelo visto, os cálculos e fórmulas dos homens ainda são insuficientes para decifrar a matemática divina...

O comportamento das partículas subatômicas pode parecer estranhos à ciência materialista, mas, para os espíritas não há nada de anormal, pois sabemos, que o princípio inteligente do Universo através do fluido universal mantém a matéria organizada (apesar de não parecer a primeira vista), pois, o caos e o acaso não figura no dicionário divino. Sabemos que acima de tudo a inteligência suprema do Universo atua de forma infalível, secundado pelos Espíritos puros e superiores.

O livro Life’s Field trouxe à baila uma temática muito interessante de estudos desenvolvidos durante à Segunda Guerra Mundial, em um laboratório nazista instalado na Itália, desde 1940, onde com aparelhos espectrográficos, cientistas concluíram que a fecundidade não era apenas uma questão de capacidade biológica, mas também, de um campo estranho detectado no aparelho reprodutor feminino, que preparava a mulher para o engravidamento. A esse campo deram o nome de campo da vida, que segundo eles, tinha função da escolha ou seleção do espermatozóide ideal para a fecundação. Se levarmos em consideração que são uma média de 200 milhões de espermatozóides, competindo na maratona da vida...

Com esses dados concluíram, com razão, que o campo da vida era o responsável pela causa da vida e não o relacionamento sexual que é apenas, conseqüência do processo fecundante. É claro que limitaram-se, apenas, ao registro e nada mais.

Na visão espírita o fenômeno do campo de vida ou Life’s Field, vem confirmar mais uma vez a existência e a importância da realidade espiritual. Também nos mostra a importância do corpo perispiritual no processo de encarnação dos Espíritos. Mais uma vez vamos ao “Livro dos Espíritos”, desta vez na questão 344:

“Em que momento a alma se une ao corpo?

“A união começa na concepção, mas só é completa por ocasião do nascimento. Desde o instante da concepção, o Espírito designado para habitar certo corpo a este se liga por um laço fluídico, que cada vez mais se vai apertando até ao instante em que a criança vê a luz. O grito, que o recém-nascido solta, anuncia que ela se conta no número dos vivos e dos servos de Deus.”

Como já dissemos linhas acima, a vida não pode ser obra do acaso ou do caos, seria um absurdo acreditarmos que o nascimento do homem estivesse na dependência de uma corrida espermatozóica, pois se assim fosse, só os mais fortes conseguiriam seu intento e os espermatozóides mais fracos não teriam chance de semear a vida. É claro que a Espiritualidade superior encarregada da encarnação de Espíritos na Terra, são os controladores do campo da vida, são eles os responsáveis pela escolha ou seleção do espermatozóide ideal para a fecundação, não há dúvida, pois, cientes do mecanismo da lei de causa e efeito, dará à cada um aquilo que eles mesmos plantaram ou se preferirem “a cada um segundo suas obras”. Essa é a explicação que justifica a fecundação do ovo por um espermatozóide, aparentemente menos capacitado para cumprir com o seu papel, mas, tal é a lei, porque este ainda é um planeta de provas e expiações, daí as doenças e deficiências físicas, conseqüentes  de excessos e delinqüências de vidas passadas.

Se as células são as sementes da vida, o que seria o mesmo que dizermos que são a causa de ou da vida em si, ou seja, definindo a personalidade de cada um, como se fosse a raiz da individualidade, teríamos um sério problema, pois, com a tão temida morte biológica, as funções orgânicas celulares continuam atuantes no cadáver após o trespasse, todavia, a personalidade com suas decorrentes não apresentam as características vitais. Por que? Se continuam atuantes as atividades celulares! Ora!!! As células orgânicas são responsáveis pelo corpo físico e não pelo Espírito. Não podemos esquecer que a inteligência com todas suas conseqüências, é o atributo essencial do Espírito, no corpo o que temos é a encarnação do Espírito, na desencarnação (morte) ele apenas se desliga do corpo.

Em 1972, uma equipe de cientistas suecos, fizeram uma experiência com um moribundo no qual haviam instalado um espectrógrafo com um dispositivo de dinamômetro acoplado a um osciloscópio, para as devidas leituras. Com o osciloscópio registravam as variações do campo orgânico, com o fim de localizar a vida no paciente; com o dinamômetro mediam a variação do peso do campo gravitacional. O resultado foi surpreendente, pois, examinando os registros da leitura nos aparelhos, verificaram que no exato momento da desencarnação, o paciente perdeu um campo cujo peso correspondia a 2,2 dam (decagrama-força), o interesse é que a experiência pode ser realizada por outros experimentadores abalizados, pois, esses aparelhos utilizados nessa experiência, são idênticos nas UTI e CTI.

Muitos foram os médiuns videntes que viram o corpo perispiritual ser exteriorizado e afastado do corpo físico, no momento da chamada morte, a experiência acima vem confirmar que, o fenômeno observado pelos médiuns são realmente verdadeiros e não fruto de alucinações visuais. A vida é muito mais que um amontoado celular em um corpo de carne, a vida espiritual é uma realidade que precisa ser percebida por todos, cientistas ou não, pois, a vida vem de Deus e nós somos seus filhos e já está na hora de aprendermos a respeitarmos as leis do Pai dos seres e das coisas.

(Publicado no CORREIO FRATERNO DO ABC, Ano XXXIV, Nº 373, Fevereiro de 2002)

Fonte: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/bernardino/o-corpo-e-o-espirito.html

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

QUANDO PERDEMOS NOSSOS ENTES QUERIDOS

A visão espírita da morte é única e singular entre as doutrinas religiosas. É bom conhecê-la e vivê-la, para que fiquemos mais tranquilos, aceitando melhor o desencarne de quem amamos.

Mauro Operti
Entrevista realizada no canal IRC # Espiritismo
Para entender a atitude dos espíritas diante da perda de entes queridos, é preciso entender a visão espírita da morte. O que é a morte para o espírita? Em primeiro lugar, a destruição do corpo físico, que é um fenômeno comum a todos os seres biológicos. Segundo, a morte é um instante em meio a um caminho infinito. E em terceiro lugar, a morte é uma transição e não um ponto final.

Há que se considerar também que o espírito está permanentemente em processo de crescimento e renovação e a morte é a forma de forçar esta renovação, mudando ambientes e projetos de vida.

Esta visão um tanto pragmática e aparentemente fria da morte não exclui a existência de sentimentos e emoções, porque tanto quanto sentimos mais ou menos fortemente a separação geográfica entre duas pessoas e ansiamos por reencontrarmos aqueles que estão longe, assim também ansiamos por ter novamente conosco os que se foram.

Mesmo na vida física há separações que são traumáticas, longas e, às vezes, definitivas. Na morte, então, a saudade e a vontade de ter outra vez aquele que se foi é perfeitamente natural e compreensível, mas a certeza da retomada do afeto e de projetos comuns no futuro é profundamente consoladora e faz com que a esperança possa ser tranquila e confiante.

Por que é tão doloroso ainda para nós o fenômeno da morte física, com a separação dos entes que amamos?

Mauro Operti - Exatamente porque os amamos, queremos tê-los continuamente junto a nós. Isto não precisa de explicação, é natural. Vivemos em função dos outros. Tudo o que fazemos na vida tem como referência o outro. Se o outro que amamos se vai, como não sentir?

É lícito procurarmos o contato com entes que partiram, já que á morte não é o fim?

Mauro Operti - Perfeitamente, desde que a nossa atitude mental e as nossas emoções estejam equilibradas. Por outro lado, toda vez que tentamos o contato com o mundo espiritual, temos que ter certeza de que os meios dos quais dispomos (ambiente, médiuns etc.) sejam apropriados para a nossa intenção. De qualquer modo, temos que ser prudentes quando intentamos qualquer contato com o mundo espiritual. E mesmo que a nossa intenção seja boa ou a nossa saudade muito grande, as leis da comunicação mediúnica continuam em vigência. Mas, de qualquer maneira, se a misericórdia divina nos forneceu os meios de comunicação, é perfeitamente razoável buscarmos o contato com aqueles que nós amamos. Quem não anseia uma palavra de afeto de quem está longe? É profundamente consoladora esta certeza.

O que se pode dizer às pessoas que buscam o centro espírita com profundo desejo de receberem uma mensagem de um ente querido que já partiu?

Mauro Operti - Em primeiro lugar, estar avisado de que este contato nem sempre é possível. Às vezes, passam-se meses ou anos antes de conseguirmos uma palavra ou uma mensagem. Nem os médiuns, nem os espíritos estão obrigados a nos dar a resposta que queremos. Se a misericórdia divina permitir, nós a receberemos, como muitos que já receberam. As evidências para alguns de nós são numerosíssimas, como é o meu próprio caso. Eu não tenho como negar o fato da sobrevivência pelo muito que já vivenciei ou já presenciei.

Qual a garantia de estarmos nos comunicando com nossos verdadeiros entes?

Mauro Operti - As evidências para a comunicação entre mortos e vivos são de dois tipos: subjetivas ou objetivas. As evidências objetivas são confirmações externas, através de fatos objetivos que deixam motivo para poucas dúvidas (ou nenhuma dúvida). É claro que, como acontece com a própria pesquisa científica, sempre se pode levantar hipóteses explicativas para os fenômenos. O que se faz é levar em conta a soma de evidências que levam, quase sem deixar dúvidas, a se aceitar que o fenômeno foi genuíno. Mesmo na pesquisa científica, isto também acontece. Na realidade, nada é definitivamente provado em ciência. Mas para muitas coisas, o peso das evidências a favor de uma determinada explicação é tão grande que, do ponto de vista prático, é como se estivesse provado. É assim também com os fatos mediúnicos. Mas existem também as evidências subjetivas e essas são pessoais e intransferíveis. Eu não posso provar a uma outra pessoa que sonhei com um ente querido e que isto significa que eu realmente estive com ele, mas, interiormente, eu tenho certeza, pelo realismo das cenas vividas oniricamente e por detalhes que me trazem uma certeza interior que não pode ser transferida. E quando isto acontece, não me importa absolutamente o que o outro possa pensar da minha experiência.

As perdas vivenciadas por qualquer encarnado, quando acompanhadas de sentimento de resignação e capacidade de perdão, podem se tornar um aprendizado, um treinamento que nos levaria a entender melhor a perda dos entes queridos?

Mauro Operti - Certamente, porque é o aprendizado da renúncia, a certeza de que não somos donos de nada, nem de ninguém. Que o que temos num certo momento nos pode ser tirado no outro e continuamos vivendo, continuamos lutando sempre com a visão do futuro.

O ente desencarnado assiste ao seu velório? Assim sendo, qual sua postura diante da demonstração de dor dos entes encarnados? 

Mauro Operti - Nem sempre. Vai depender do próprio espírito e da assistência por parte dos seus amigos espirituais. Às vezes, ele não tem condições emocionais e está tão desarvorado que deve ser afastado do local. Outras vezes o seu estado de perturbação é tal que ele não tem consciência do que está se passando. Mas, muitas vezes, isso é possível.


A vontade de ver o ente que se foi, a saudade, não atrai o espírito do parente querido desencarnado? Isto pode levar a uma obsessão? 

Mauro Operti - Depende do estado mental e emocional que acompanha esta vontade. Também depende das condições do espírito desencarnado, mas não há perigo em pensarmos com saudade nos nossos afetos desencarnados. Isto é uma expressão do carinho e da afeição que une dois seres. Como proibir? Seria, no meu modo de ver, uma falha das Leis Divinas não deixar que nos lembremos com carinho daqueles que um dia se foram.

Como proceder para saber se os entes queridos estão bem? 

Mauro Operti - Rezar, pedir a Deus que lhe permita sentir o carinho daquele de quem você gosta. Com o tempo e a prática aprendemos a nos dirigir mentalmente àqueles de quem gostamos e as evidências subjetivas que colhemos desses contatos nos dão a certeza de que realmente estivemos com eles. Mas é preciso aprender a fazer as rogativas mentais com tranqüilidade, confiança e á certeza da assistência espiritual de nossos guias. Peçamos a Jesus acima de tudo e esperemos com serenidade.

Que mensagem você daria para as pessoas que perderam seus entes queridos e acreditam que nunca mais irão encontrá-los? 

Mauro Operti - Para estas pessoas eu diria que Deus não cometeria esta maldade de separar definitivamente dois seres que se amam. A essência da vida é o outro.
 Porque Deus juntaria num breve tempo de uma existência duas criaturas que se sentem felizes de estar juntas e depois as separaria pela eternidade? A certeza da sobrevivência que a prática espírita garante às criaturas está acompanhada da certeza da reunião daqueles que se amam depois da perda do corpo físico. Esta é a maior consolação que poderíamos desejar, mas não é só uma consolação piedosa, é uma certeza proveniente da vivência que, aos poucos, vai nos tornando mais seguros e menos propensos às crises de ansiedade e aflição que são tão comuns às pessoas hoje em dia. Temos certeza e sabemos, não apenas acreditamos.

O QUE DIZ O LIVRO DOS ESPÍRITOS

Questão 935 - O que pensar das pessoas que vêem as comunicações dos espíritos como uma profanação?

Não pode haver nisso profanação quando há recolhimento e quando a evocação é feita com respeito e dignidade. O que prova isso é que os espíritos que se afeiçoam a vós vêm com prazer, ficam felizes com vossa lembrança e por se comunicarem convosco. Haveria profanação se fizessem disso uma leviandade.

Comentário de Allan Kardec: A possibilidade de entrar em comunicação com os espíritos é uma consolação bem doce, uma vez que nos proporciona o meio de conversarmos com nossos parentes e amigos que deixaram a Terra antes de nós. Pela evocação, os aproximamos de nós e eles ficam do nosso lado, nos ouvem e respondem; não há, por assim dizer, mais separação entre eles e nós.

(Extraído da Revista Cristã de Espiritismo nº 11, páginas 13-15)

Fonte: http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3871&catid=81


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Morte e significado

Cícero Marcos Teixeira

Vamos procurar analisar parcial e genericamente alguns aspectos de mortes violentas, através de acidentes ou desastres dolorosos.

O que ocorre com as pessoas que são surpreendidas com a morte física num desastre?

Quais as sensações e emoções que as vítimas de um acidente fatal sentem ou vivenciam nos momentos deste tipo de morte?

Tomando por fundamentação teórica os ensinamentos espíritas, e com base em informações mediúnicas confiáveis, pode-se estabelecer alguns princípios gerais para elucidar a dinâmica do fenômeno da morte ou desencarnação e o processo do morrer propriamente dito.

Em princípio, é necessário esclarecer que a morte é um fenômeno natural inerente à dinâmica da própria vida.

O que é que morre ou desencarna?

Apenas o corpo físico morre, isto é, passa por uma série de transformações psicobiofísicas de degradação energética, com rupturas dos centros vitais bioenergéticos que integram os diferentes sistemas atômicos celulares componentes de tecidos, órgãos, aparelhos e demais sistemas interativos que compõem o organismo humano como verdadeiro eco-sistema de manifestação vital.

Resumidamente, na visão materialista, a morte significa o caos orgânico, irreversível, culminando na cessação de todas as funções vitais e conseqüente desagregação do organismo físico, através da decomposição cadavérica, nada restando após a morte propriamente dita.

Na visão espiritualista de um modo geral, algo sobrevive após o fenômeno da morte física.

Sem maiores detalhes ou considerações filosóficas, o espiritualista de um modo geral, admite a existência da alma ou do Espírito e, portanto, ao morrer, independente do gênero de morte ou desencarne, a alma ou espírito sobrevive, continuando a viver no mundo espiritual.

O espiritualista espírita descortina um horizonte mais amplo, tendo um acervo de ensinamentos esclarecedores sobre a dinâmica da morte e do morrer, relacionado ao gênero de vida consciencial da criatura humana, independente da faixa etária, sexo, raça, cultura, religião, posição social, etc.

No caso particular da visão espírita, a morte ou desencarnação propriamente dita implica uma série de fenômenos não só psicobiofísicos: também inclui outros de natureza anímico-conscienciais extrafísicos, paranormais e mediúnicos de grande complexidade que, direta ou indiretamente, podem evidenciar a sobrevivência do espírito ou consciência que continua a viver após a ruptura dos laços bioenergéticos que mantinham o organismo físico em plena atividade, como veículo ou instrumento de manifestação do espírito encarnado, durante a respectiva cota de tempo de vida, compatível com as necessidades e projetos de realização e auto-realização consciencial, em cada experiência reencarnatória.

Assim sendo, a vida inteligente, consciencial, não se extingue com a morte física propriamente dita. O Eu-consciencial ou Espírito, ser pensante, volitivo, dotado de instinto, emoção, sentimento, razão, linguagem conceitual e demais atributos humanos, ao passar pelo fenômeno da morte do corpo físico, de acordo com seu estágio evolutivo espiritual, terá maior ou menor autonomia e maior ou menor lucidez consciencial, cognitiva,

afetiva e volitiva, para compreender as diferentes fases do processo da morte física propriamente dita.

De acordo também com seu grau de educação consciencial e espiritual e, ainda, conforme as ações e obras realizadas em vida, terá maior ou menor merecimento, além do sentimento de auto-estima pelo cumprimento dos deveres e realizações edificantes não só em beneficio próprio, como, também, em favor dos seus semelhantes, da comunidade e da sociedade em geral.

Em tais circunstancias, os que viveram edificantemente, independente de rótulos místicos ou religiosos, apresentam melhores condições psicodinâmicas conscienciais para compreender e aceitar com maior ou menor autocontrole, equilíbrio e serenidade as surpresas da sua própria desencarnação.

Por outro lado, os que em decorrência da imaturidade consciencial, espiritual, cometeram equívocos, vivendo egoísta e egocentricamente, não aproveitando bem as lições da vida, no sentido de promover o auto-conhecimento e a construção da paz dentro e fora de si mesmos, apegando-se ao corpo físico como única realidade e razão de ser. estes que assim viveram terão maiores dificuldades para compreender e aceitar a surpresa da própria morte física e a grande realidade de sua própria sobrevivência como espírito desencarnado.

Isto não que dizer que a pessoa esteja condenada pela eternidade afora a um sofrimento infernal, tal qual as religiões dogmáticas e sectárias incutiram na mente popular.

Absolutamente. Cada consciência, de acordo com seu biorritmo e tempo de assimilação e vontade de reconstruir o próprio destino, para melhor, terá tantas oportunidades de aprendizagem auto-redentora quantas necessitar para construir a própria plenitude consciencial e existencial ao longo das vidas sucessivas.

Deste modo, na visão espírita, a vida é imperecível e o ser humano é um agente co-criador integrante do Plano Divino da Criação, e, conseqüentemente, arquiteto de seu próprio destino feliz ou infeliz.

Esta digressão teórica se faz necessária no sentido de estabelecer alguns princípios gerais relativos ao fenômeno da morte e seu significado.

I—A morte é apenas uma mudança de estado de ser. de pensar, de sentir e agir.

É natural a reação de rejeição e não-aceitação da morte, qualquer que seja a situação circunstancial.

Esta reação é geral, sendo uma decorrência espontânea do instinto de conservação e auto-preservação inato no ser humano.

Graças ao instinto de conservação, reprodução e autodefesa, a espécie humana se mantém, sobrevivendo aos grandes desafios da evolução onto e filogenética e da necessidade de adaptação evolutiva, em íntima interação com a multi-diversidade dos eco-sistemas ambientais do planeta Terra e sua respectiva Biosfera.

Assim sendo, na dinâmica da vida, nascer, crescer, reproduzir, viver e morrer constituem um processo bioenergético, psicobiofísico, anímico-consciencial, universal, presente em todos os Reinos da Natureza, em sua multidimensionalidade física e extra-física.

O medo da morte é, pois, uma reação instintiva que se evidencia através do comportamento humano ao longo da evolução histórica, antropológica, cultural, religiosa, etc. da humanidade terrestre, variando com a época e com as características culturais, costumes, práticas e tradições religiosas de diferentes tribos, povos, raças e nações, tanto no Oriente quanto no Ocidente.

Entretanto, parece haver em todas as culturas, ao longo das diferentes épocas da história, a crença mais ou menos generalizada na sobrevivência espiritual do ser humano.

As diferentes tradições religiosas criaram diferentes regras e procedimentos ritualísticos místico-religiosos, influenciando a mente popular, submetendo-a aos dogmas e preceitos estabelecidos pelas diferentes religiões no mundo, e direta ou indiretamente, implícita ou explicitamente, o medo da morte vem passando de geração a geração.

Nos tempos atuais, com o advento da tanatalogia como uma área de investigação e conhecimento cientifico, o tabu da morte aos poucos vai se transformando numa visão mais realística e consentânea com o progresso das investigações dos fenômenos paranormais que ocorrem com os doentes terminais e nas experiências da chamada morte aparente.

Como decorrência, a morte está sendo encarada com maior naturalidade, despida daqueles paramentos fúnebres e lúgubres de décadas atrás.

Neste particular a contribuição do Espiritismo é inegável e valiosamente significativa para desmitificar e desmistificar a morte como algo terrível, assustador e um caminho sem volta.

A morte ou desencarnação é, pois, apenas e tão-somente uma transmutação profunda psicobifísica, anímica e consciencial, refletindo intensamente no pensar, sentir e agir do ser humano, que deixa de se manifestar na vida de relação no plano físico, através do respectivo corpo psicossomático para continuar a pensar, sentir e agir sem o instrumento físico, no reino do Espírito, onde igualmente a vida de relação continua em outras tonalidades vibratórias, por meio da manifestação do pensamento e da vontade, de acordo com o grau de evolução e maturidade consciencial e espiritual alcançado, em sua última experiência reencarnatória.

II—A vida de relação não cessa com a morte física propriamente dita.

Os diferentes e diversificados fenômenos paranormais e mediúnicos, observados por ocasião não só da morte física, como também através de manifestações espontâneas ou provocadas experimentalmente, sugerem de maneira significativa que o ser humano desencarnado mantém uma dinâmica interação volitiva, energética, inteligente e afetiva, no mundo espiritual ou espiritosfera, em obediência à lei de sintonia, afinidade e ressonância vibratórias.

Isto posto, fica entendido que o intercâmbio mediúnico é um fenômeno universal entre encarnados e desencarnados e se verifica também entre os desencarnados no Reino dos Espíritos ou Espiritosfera, obedecendo-se aos mesmos princípios universais da lei de afinidade, sintonia e ressonância, correspondentes aos respectivos planos multi e transdimensionais extrafisicos conscienciais.

Deste modo, desde a mais remota antigüidade, o fenômeno mediúnico sempre foi uma prova de que o intercâmbio mediúnico entre encarnados e desencarnados existiu sempre como um fato natural e de amplitude universal.

III—O princípio de interdependência e de interação psicodinâmica entre encarnados e desencarnados é um fenômeno universal.

Assim sendo, as ações e reações interativas entre os seres humanos encarnados e desencarnados ocorreram sempre ao longo da história da humanidade terrestre, dando origem às diferentes manifestações místico-religiosas que fazem parte da herança cultural de todos os povos, raças e nações, tanto no Oriente como no Ocidente.

Estas interações podem se manifestar de maneira sutil ou ostensiva, assumindo características harmônicas ou desarmônicas, em função de sua influência positiva ou negativa no comportamento individual ou coletivo do ser humano.

IV—Os Espíritos desencarnados podem se manifestar espontaneamente ou por meio de evocação.

Em decorrência dos princípios anteriores, a manifestação do Espírito desencarnado pode se dar espontaneamente em função da lei de sintonia e afinidade. Os espíritos são atraídos em razão da existência de laços de simpatia que os atraem para se manifestarem a pessoas no meio onde vivem, objetivando manter uma relação harmônica, edificante e solidária.

Podem também ser conseguidas tais manifestações por meio de evocações, e de motivos justos, que justifiquem tal procedimento com finalidade de investigação e pesquisas sérias e construtivas.

V—A morte ou desencarnação, mediante um desastre doloroso e fatal, é diferente e específica para cada um, embora as circunstancias do desastre sejam as mesmas para todos os envolvidos no acidente.

Isto quer dizer que a morte física de uma pessoa está intimamente relacionada com a respectiva herança cármica e suas necessidades de auto-redenção.

Aliás, tal princípio se aplica a qualquer gênero de morte ou desencarne

VI—Ninguém, em circunstancias de morte violenta, em acidentes fatais, jamais estará desamparado, à míngua de uma assistência espiritual socorrista.

Todos são socorridos e atendidos em suas necessidades específicas, de acordo com o respectivo grau de maturidade consciencial, merecimento e a gravidade do estado pessoal de cada um.

Quando ocorre um acidente ou desastre doloroso no plano físico, imediatamente, no mundo espiritual, os Centros ou Núcleos de Pronto Socorro e Atendimento Espiritual mais próximos tomam conhecimento da ocorrência, providenciando com a máxima urgência o socorro das vítimas acidentadas que venham a morrer ou que fiquem politraumatizadas e em estado grave no local do sinistro.

Nestas circunstancias emergenciais a pessoa moribunda agonizante ou desencarnante emite pensamentos aflitivos que se propagam na multidimensionalidade extrafísica, como se fossem verdadeiros S.O.S. telepáticos, os quais são devidamente captados e registrados por meio de sofisticada tecnologia, possibilitando a imediata localização e identificação pessoal das vítimas do desastre.

Equipes de socorro espiritual dirigem-se imediatamente ao local do acidente para a prestação do respectivo socorro e demais providências de amparo assistencial.

A título de exemplo, no capítulo XVIII—Resgates Coletivos, do livro Ação e Reação, psicografado e editado pelo Espírito André Luiz, 2a. ed. FEB, páginas 236 e seguintes, encontra-se o relato de um desastre aviatório.

Qual era a situação das pessoas vitimadas?

Vários desencarnados no referido acidente encontravam-se em posição de choque, presos aos respectivos corpos físicos, mutilados parcial ou totalmente, entretanto alguns apresentavam-se em melhores condições de lucidez consciencial.

Outros sentiam-se imantados aos próprios restos cadavéricos, gemendo de dor e sofrimento, e outros ainda gritavam em desespero, mantendo-se também aprisionados aos despojos físicos, em violenta crise de inconsciência, numa profunda perturbação.

Os espíritos socorristas, médicos e enfermeiros em especial, a todos atendiam com elevado sentimento de compaixão, prestando a assistência espiritual de acordo com a situação de cada um.

Comentários elucidativos a respeito da situação de cada vítima, feitos por generoso mentor espiritual, merecem ser analisados para efeitos de esclarecimentos educativos, objetivando a autoconscientização e o autoconhecimento de cada um e de todos.

1. O socorro espiritual é ministrado indistintamente a todos, sem nenhuma exceção.

2. A expressão—"Se o desastre é o mesmo para todos, a morte é diferente para cada um", é um ensinamento importante e merece ser assimilado.

3. Nem todos podem ser retirados dos despojos físicos, cadaverizados, logo imediatamente.

4. A afirmação de que "Somente aquele cuja vida interior lhe outorga a imediata liberação", é de relevante significado educativo, pois revela a necessidade moral de se buscar o autoconhecimento e a conseqüente emancipação psicológica e emocional indispensável para maior autonomia e discernimento conscienciais, ainda em plena vida física.

Consequentemente, isto implica um processo de autoeducação pessoal, ao longo da vida, face aos grandes desafios existenciais, exigindo a autotransmutação, capaz de conferir a cada um a plena liberdade e autonomia no pensar, sentir e agir, em harmonia com as Leis da Vida, na construção da paz dentro e fora de si mesmo, e na vivência do bem incondicional.

As pessoas que se dispuseram a viver em harmonia com a cosmoética nada têm a temer diante do momento decisivo e crucial da própria morte física.

5. Aquele cuja vida consciencial se manteve em desalinho, vivendo em descompasso desarmônico com as Leis da Vida, concentrando-se no egoísmo egocêntrico, perdendo valiosas oportunidades de amar e bem servir ao próximo como a si mesmo, e, por conseguinte, ficando mais condicionado às manifestações instintivas e emocionais, sem nenhuma preocupação com os valores espirituais para o próprio crescimento e desenvolvimento consciencial, este fica apegado ao corpo físico, não tendo condições de manter equilíbrio harmônico e a lucidez consciencial indispensáveis à neutralização dos impulsos de atração e imantação energética que o retém ao cadáver mutilado.

Nestas circunstancias, o desencarnado permanecerá ligado por tempo indeterminado aos despojos cadavéricos que lhe pertencem.

6. Este tempo indeterminado está na dependência "do grau de animalização dos fluídos que lhes retêm o espírito à atividade corpórea". (p. 238).

Pode levar horas, dias ou meses até a completa e plena auto-libertação psicológica, emocional, consciencial e espiritual.

7. As expressões seguintes merecem ser meditadas por sua relevante transcendência:

a) "Corpo inerte nem sempre significa libertação da alma". b) "O gênero de vida que alimentamos no estágio físico dita as verdadeiras condições de nossa morte" (p. 238).São por demais claras e, de certo modo, contundentes, no sentido de não deixar dúvidas ou escapismos.

8. Outra expressão complementar às já mencionadas também deve ser motivo de reflexão—"Morte física não é o mesmo que emancipação espiritual" (p. 239).

9. Mas aquelas vítimas desencarnadas no desastre, as quais não têm condições de se afastar do próprio cadáver, mediante a ruptura dos laços bioenergéticos que ligam o espírito ao corpo físico, através dos respectivos centros vitais ou chakras existentes no perispírito, estas vítimas ficarão relegadas ao sabor das circunstancias, por tempo indefinido, sem nenhum outro tipo de assistência socorrista?

Jamais isto acontece.

Todas, sem exceção, são amparadas sempre.

"Ninguém vive desamparado. O amor infinito de Deus abrange o Universo". (p. 239).

10. O ser humano encarnado ou desencarnado pode, a cada momento da existência, por meio do Bem "sentido e praticado", também modificar seu próprio destino para melhor, neutralizando ações e reações negativas circanstanciais, afastando do próprio horizonte "as nuvens de sofrimentos prováveis". (p. 240).

Mas indagações se impõem.

- Quais as causas que originaram semelhante provação?

- Quais os fatores circunstanciais que direta ou indiretamente contribuíram para a morte violenta e dolorosa através de desastres ou acidentes fatais?

A resposta encontra-se nos ensinamentos luminosos e redentores do Cristo, quando afirma:

"A cada um será dado segundo suas obras" ou "Cada um colhe de acordo com o que semeia".

Este ensinamento expressa a Lei de Ação e Reação ou Lei de Causa e Efeito, também ensinada pela sabedoria milenar do Oriente como Lei do Carma.

A título de esclarecimento, poder-se-ia estabelecer possíveis correlações entre a herança cármica individual ou coletiva, para poder explicar a origem de tais acontecimentos provacionais, dolorosos e irreversíveis.

Sem pretender aprofundar o tema relativo a Lei do Carma, algumas relações podem ser estabelecidas, tais como:

a) As vitimas de hoje, perdendo a vida de modo tão trágico e violento, poderiam, em outras épocas passadas, ter cometido crimes não menos violentos também, atirando pessoas ou desafetos indefesos do "cimo de torres altíssimas, para que seus corpos se espatifassem no chão"...

b) As vítimas dos desastres de hoje poderiam ser as mesmas pessoas que em tempos passados se entregavam à pirataria, cometendo crimes hediondos em alto mar.

c) Ou suicidas que se precipitaram de edifícios ou se lançaram de elevados picos à beira de verdadeiros abismos, estraçalhando o corpo físico contra os rochedos pontiagudos, em manifesta rebeldia, insubmissão e desrespeito às leis da vida.

d) Ou também homicidas que praticaram crimes hediondos, seqüestrando e incendiando aldeias indefesas, ceifando vidas de crianças e adolescentes, estuprando e violentando mulheres para assassiná-las posteriormente com requintes de crueldade, ou que massacraram pessoas idosas sem piedade.

Quantos homens e mulheres, crianças e jovens, vivendo atualmente, em cuja ficha cármica encontram-se registrados erros e equívocos do passado próximo ou milenar, aguardando o despertar e o amadurecimento consciencial de cada um, para o indispensável trabalho educativo da própria redenção, através de novas oportunidades existenciais de trabalhar construtivamente na reconstrução do próprio destino para melhor, reencontrando as antigas vítimas e algozes de passadas existências, na condição de familiares, pais, filhos, irmãos, parentes ou amigos, para juntos viverem as lições do amor e do perdão incondicionais, sem o que não haverá paz na consciência e tampouco a plena quitação com a Lei de Deus.

11. Entretanto, é também da própria Lei Cármica que, a todo e qualquer momento, cada consciência encarnada ou desencarnada poderá modificar o próprio destino para melhor desde que se disponha a amar e servir, trabalhando na semeadura do Bem, adquirindo desta forma, pelo trabalho de auto-regeneração redentora, os indispensáveis créditos de merecimento que lhe

trarão a paz consciencial, anulando os reflexos negativos decorrentes das ações infelizes do passado próximo ou remoto.

Deste modo "gerando novas causas com o bem, praticando hoje, podemos interferir nas causas do mal, praticado ontem, neutralizando-as e reconquistando, com isso, o nosso equilíbrio". (241).

12. É possível escolher o gênero de provações existenciais e até mesmo o gênero de morte?

Sem dúvida. Para tanto é indispensável ter adquirido maturidade espiritual e o merecimento indispensável para se propor e planejar uma nova existência reencarnatória, tendo em vista cooperar para o progresso e o bem comum, através de uma vida de trabalho, doação, sacrifício e renúncia, dedicando-se aos mais diversificados projetos de realização progressista, em benefício da coletividade em geral, contribuindo muitas vezes com o sacrifício da própria vida.

Assim sendo, muitos se preparam em tempo hábil, antes de uma nova reencarnação, habilitando-se para correr o risco de vida, e sofreram até mesmo morte violenta, em benefício do progresso das ciências em geral, das artes, da medicina e saúde, da indústria, da pesquisa de ponta em laboratórios e projetos de reconhecida periculosidade, em favor do progresso da navegação marítima, da aeronáutica, da engenharia, dos transportes terrestres, das viagens espaciais, da liderança política e do trabalho edificante e sacrificial no campo das reformas político-sociais, econômicas e educacionais, etc., objetivando beneficiar a sociedade em geral, promovendo direta ou indiretamente o desenvolvimento de um povo, da nação ou país na construção da paz e da justiça sociais.

Como se vê, a Lei Divina é Lei de Amor, Justiça e Misericórdia, não excluindo nenhum ser humano do direito de ser artífice do próprio destino.

13. Uma outra pergunta se faz necessária para maior elucidação do tema em estudo.

Todos terão condições de tomar esta decisão, no sentido de escolher o gênero de provação sacrificial?

Nem todos, porque a livre escolha depende do estágio de maturidade espiritual alcançado e, também, das auto-realizações no campo das ações edificantes e benéficas em prol do semelhante, das antigas vítimas do passado, dos que direta ou indiretamente foram atingidos por nossa insanidade na prática do mal.

É indispensável, pois, que cada espírito ou Eu-Consciencial já tenha adquirido a plena consciência no pensar, sentir e agir com lucidez e discernimento na mais íntima interação com as Leis da Vida, amando e servindo pelo amor à verdade, ao bem incondicional, trabalhando proficuamente na reconstrução do próprio destino, dispondo-se a viver conscientemente a lei do amor, do perdão, ida solidariedade, sem nenhum preconceito ou condicionamentos atávicos segregacionistas de qualquer espécie.

Como se vê, a liberdade de escolha está na razão direta da conquista realizada pelo próprio espírito, no sentido do auto-conhecimento e da auto-transmutação consciencial, atingindo o maior índice possível de auto-realização na construção do reino de Deus dentro e fora de si mesmo.

É pois um longo processo de maturação consciencial, a que todos estamos submetidos, ao longo das múltiplas e milenárias experiências de aprendizagem existencial através das vidas sucessivas.

Daí por que o ensinamento milenar—o ser humano é arquiteto do próprio destino.

As religiões dogmáticas e sectárias que envenenaram a mente humana com as idéias de castigo, punição, inferno, penas eternas, excomunhão, favoritismo para conquistar as benesses do paraíso celestial, prometendo a salvação mediante indulgências, penitências e atos litúrgicos sacramentais, inerentes ao culto externo e a idolatrias, ensinando o temor a Deus, contribuíram direta ou indiretamente para que o medo patológico se instalasse na mente humana, ao longo da evolução histórica da humanidade terrestre, gerando o fanatismo, a intolerância e a separação entre crentes e descrentes, criando dependências psicológico-emocionais, escravizando mentes e corações.

A liberdade de escolha está diretamente associada ao princípio da responsabilidade individual e coletiva intransferível e irrevogável.

Cada qual, com sua respectiva herança cármica, muitas vezes é submetido a diferentes provas existenciais na infância, na mocidade, na idade adulta ou na velhice, passando por experiências de mutilação reversível ou não, por enfermidades de difícil tratamento a curto, médio ou longo prazo, por acidentes dolorosos e até mesmo a morte súbita em circunstancias inesperadas e traumatizantes.

Os seres humanos que estão onerados perante as leis éticas da vida e que para se redimirem têm necessidade de viver provações e lutas expiatórias, encontram aqueles outros que se dispõem a ajudá-los através das relações familiares na condição de pais, parentes ou amigos, e que juntos se dispõem coletivamente ao aprendizado redentor, porque na maioria das vezes estão também vinculados reciprocamente por compromissos e comprometimentos cármicos específicos.

A provação coletiva desperta o sentimento de solidariedade humana, impulsionando todos a uma revisão dos valores e significados éticos do viver, descortinando a cada um novos horizontes conscienciais .

Deste modo, pode-se afirmar que, no Plano Divino da Criação, não há falhas e a Lei é de Amor, Justiça e Misericórdia, concedendo a cada um e a todos iguais oportunidades de progresso material, e espiritualmente falando, através das vidas sucessivas, na construção e reconstrução de um destino feliz.

14. E a morte por suicídio?

Doloroso equívoco cometem aqueles cuja decisão final é o apelo ao suicídio, como medida extrema para solucionarem problemas aflitivos, psicológicos, emocionais, conscienciais e existenciais.

A maior surpresa é a de que a vida não se extingue com a morte do corpo físico.

Doloroso e grave engano, porque o suicida se vê muitas vezes jungido aos despojos cadavéricos, por tempo indeterminado, através dos laços bioenergéticos que ligam o perispírito ao respectivo corpo físico em decomposição.

As sensações e emoções experimentadas pelo suicida variam de caso para caso.

Há, entretanto, algo em comum, ou seja, a constatação de que a vida consciencial é indestrutível e que ninguém burla suas leis sem assumir pesados compromissos cármicos a impor a indispensável reparação compulsória, por ter rompido, prematuramente, os elos de ligação psicobiofísica que permitiram a manutenção da vida no plano físico por uma cota de tempo compatível com as necessidades específicas de auto-realização espiritual de cada um, através do cumprimento de um plano de realizações existenciais educativo, visando à plena harmonização consciencial com as leis da vida, e na execução de projetos específicos de aprendizagens provacionais, sacrificiais, missionárias ou de resgate inadiáveis, tendo em vista a necessidade moral de construir a própria redenção.

Os relatos mediúnicos contendo informações sobre a situação do suicida após o ato cometido são unanimes em afirmar o estado de dolorosa penúria do espírito, o qual se vê num processo psicodinamico e bioenergético de recapitulação compulsiva das ações desencadeadas em decorrência do suicídio, gerando um profundo sentimento de remorso, dor e sofrimento inomináveis.

Este estado de verdadeira psicose alucinatória assume características dantescas, dramáticas e traumáticas, e na maioria dos casos o suicida sente-se mais vivo e sensível aos embates da decomposição cadavérica do próprio corpo físico.

Ora se vê no local onde o ato se consumou, ora se vê autopsiado e ao mesmo tempo preso ao túmulo, onde jazem os restos mortais sepultados.

Neste verdadeiro inferno consciencial se debate por tempo indeterminado, podendo durar dias a fio, meses ou anos até que, pela dor e sofrimento, possa despertar mais lúcido para compreender melhor o equívoco cometido. Para tanto, o remorso e o arrependimento são etapas inerentes ao despertar consciencial, seguidas de uma necessidade moral profunda de se redimir perante a própria consciência e às Leis de Deus.

Durante todo este tempo não fica abandonado pela misericordiosa assistência espiritual dos espíritos socorristas e familiares em condições de ajudar, bem como de amigos e protetores, que, amorosamente, prestam o socorro necessário, sem entretanto violar o código ético da vida.

Após esta fase crucial, à medida que for apresentando sinais de melhor receptividade e lucidez, é submetido a um complexo tratamento magnético-espiritual específico, em clinicas altamente especializadas, encarregadas de dar atendimento psicoterápico e sonoterápico, objetivando a plena recuperação do suicida.

Geralmente, a morte por suicídio produz marcas profundas no perispírito, e elas poderão determinar lesões nos respectivos centros vitais e demais órgãos perispíriticos, que irão repercutir na embriogênese e organogênese de um novo corpo físico em uma próxima e futura reencarnação.

Em conseqüência, nas futuras reencarnações o suicida poderá apresentar malformações congênitas ou doenças hereditárias irreversíveis, na maioria dos casos, renascendo em situações de excepcionalidade, exigindo muito amor e dedicação dos pais e familiares, médicos e enfermeiros, e tratamento em clínicas especializadas.

Não se deve, nestes casos, pensar em castigos ou punições divinas, mas tão-somente no cumprimento da Lei do Carma genético.

Através destas limitações morfogenéticas a curto, médio ou longo prazo, o suicida de ontem renasce em um novo corpo físico, com disfunções congênitas reversíveis ou irreversíveis, como decorrência natural das lesões registradas na memória genética perispíritica que servirão de matrizes indutoras a influenciar negativamente durante a gestação, na organogênese e morfogênese, do novo corpo físico, determinando malformações congênitas ou doenças hereditárias, correspondentes às lesões perispíriticas causadas por traumatismos, em decorrência do suicídio cometido em vidas anteriores.

A título de esclarecimento, há também casos de suicídio indireto, no qual a pessoa não tem a deliberação plena de cometer o suicídio propriamente dito, mas, pelo tipo de vida que leva, sem maiores compromissos com a saúde física e mental, expondo-se a situações de risco por imprudência, ou praticando excessos de toda a natureza, poderá morrer prematuramente, sendo, portanto, considerado também um caso de suicídio indireto.

MORTE E EDUCAÇÃO

Vê-se pois, que a morte na visão espírita é u m fenômeno natural de mudanças e transmutações, inerentes à própria dinâmica da vida.

A Pedagogia espírita, propõe-se através da educação formal e informal, desenvolver uma ação educativa, iniciando no respectivo lar, tendo os pais como pedagogos e educadores, com a missão natural de orientar e educar os filhos, desde a fase preparatória antes da reencarnação propriamente dita, através do processo psicobiofísico da gestação, acompanhando-os com amor e dedicação em todas as fases do crescimento e desenvolvimento pleno, quando assumirão com maior consciência e responsabilidade deveres e obrigações de viver construtivamente, em harmonia consigo mesmos, com a natureza, com a sociedade, com a vida, cumprindo o plano divino de suas existências.

Compreendendo desde cedo que a vida é imperecível, e que o ser humano como espírito ou consciência em expansão é um agente co-criador que integra e participa de um plano maior, de acordo com o nível de maturidade consciencial alcançado, e com a correspondente autonomia relativa, de agir e interagir no contexto existencial que lhe é concedido viver, é natural e de esperar que venha gradativamente, pela educação recebida, a desenvolver uma cosmovisão existencial, sem as peias do medo de qualquer espécie e muito menos do medo da morte e do morrer.

Nesta perspectiva, a Educação espírita visa o Ser integral, homem ou mulher, cujos papéis no contexto do viver se complementam e se integram na grande sinfonia da vida, com iguais direitos e deveres éticos e cosmoéticos no desempenho de seu respectivo plano existencial.

Como decorrência lógica deste processo de educação anímico-consciencial permanente, cada pessoa vai sentindo a imperiosa necessidade ético-espiritual de expandir-se na busca do auto-conhecimento, na construção da plenitude consciencial, livre de preconceitos e condicionamentos atávicos ou adquiridos, limitadores da liberdade de pensar, sentir e agir em harmonia com as leis da vida, numa visão plena de totalidade, integração e complementaridade.

Assim sendo, o viver passa a ser uma aprendizagem constante em todas as etapas do crescimento e desenvolvimento pessoal, de uma autoconsciência holística, ecológica e integradora, a se manifestar através de um comportamento individual e social, construtivo, edificante e solidário, em todos os momentos de sua vida de relação.

Sabe, por experiência própria, através de uma educação holística espiritualista ou espírita, que a vida de relação não se extingue com a cessação da vida física, mas ultrapassa os limites espaço-temporais do aqui, agora, expandindo-se na multidimensionalidade extrafísica da Biosfera e do Universo.

Consequentemente, tem consciência e discernimento de que é um agente co-criador arquiteto do próprio destino em todos os níveis de manifestação da vi da consciencial .Assim sendo, sente a própria dimensão transcendente do viver no plano físico e extra-físico através de suas funções psi, anímico-mediúnicas, paranormais, que lhe possibilitam projetar-se fora do respectivo corpo físico, penetrando nos diferentes níveis e planos conscienciais extra-físicos, continuando na dinâmica da vida de relação a interagir com espíritos ou consciências afins, encarnados ou desencarnados, realizando novos aprendizados enriquecedores ou participando solidariamente nas tarefas e trabalhos assistenciais ou socorristas, vivendo conscientemente o amor solidário, o amor compaixão, o amor-fraternidade, expressões particulares do verdadeiro "amor ao próximo como a si mesmo", princípio universal da Cosmoética, sem cuja observância o ser humano encarnado ou desencarnado não poderá ser plenamente feliz e nem poderá viver em paz consigo próprio, com a vida, com a natureza e com a humanidade.

Ressalta-se, pois, a importância da Educação numa visão e abordagem holística, integradora, sem os condicionamentos dogmáticos e sectários que dividem e segregam os seres humanos de todas as raças, povos e nações, tanto no Oriente como no Ocidente.

Sem dúvida alguma, o Espiritismo vem contribuindo para o desenvolvimento desta consciência holística, individual e coletiva, sem violentar a liberdade de pensar e de escolher o próprio caminho para o auto-conhecimento e a auto-realização como Espírito ou uma consciência em expansão, na construção da plenitude existencial rumo à plenitude do Ser.

Tais princípios educativos, fazendo parte dos currículos educacionais nas escolas de ensino fundamental, ampliando-se no segundo grau e ensino superior, através de projetos psicopedagógicos multi e transdisciplinares integrantes de um plano educacional de maior amplitude, privilegiando a valorização da Vida, a educação física, mental e afetiva do ser humano numa perspectiva holística, integradora e transcendente, possibilitando o desenvolvimento cognitivo, afetivo e espiritual, com ênfase no auto-conhecimento, e numa cosmovisão transcendente da v ida, em que a morte não seja considerada o fim de tudo, mas apenas uma grande e profunda transmutação consciencial.

Deste modo, a convicção adquirida e consolidada através de um novo paradigma educacional—holístico, ecológico, espiritualista ou espírita, evolucionista, convicção não imposta— mas construída através da auto-educação, de que o Espírito ou o Eu-Consciencial é um ser. agente co-criador, e integrante do processo dinâmico da própria vida, evoluindo ao longo de um contínuo histórico através das vidas sucessivas, na construção e reconstrução do próprio destino, nesta perspectiva cada Consciência, tanto no plano físico ou extra-físico, sente a realidade existencial com maior amplitude, eliminando toda e qualquer reação instintiva de medo face aos grandes desafios educativos da Vida e do próprio viver.

Assim sendo, adquire e desenvolve a plena lucidez e discernimento, cognitivo e afetivo, de que a vida de relação se expande também, além do aqui, agora, possibilitando a interação entre encarnados e desencarnados, segundo os princípios universais da lei de afinidade, sintonia e ressonância.

Através da constatação do próprio potencial anímico-mediunico, a manifestar-se por meio das funções psi, paranormais, ampliando as percepções extra-sensoriais e autoprojeção, fora do corpo, a constatação da realidade multi e transdimensional espaço-temporal torna-se uma evidência incontestável, com profunda repercussão no comportamento ético individual e coletivo, podendo acelerar o processo das grandes transformações político-sociais, econômicas, culturais, ético-religiosas, educacionais, e do despertar de uma consciência ecológica, holística, harmônica e integradora, na construção da Paz individual e coletiva, indispensável à implantação de uma nova ordem, alicerçada na Cosmoética do "amor ao próximo como a si mesmo", em todos os níveis de manifestação consciencial.

A comprovação científica dos fenômenos naturais, inerentes ao intercâmbio mediúnico, muito contribuirá para evidenciar, com maior solidez, a sobrevivência espiritual do ser humano, na mais eloqüente demonstração universal de que a morte não rompe e nem destrói os laços afetivos de amor conjugal, amor paternal, maternal, amor filial, fraternal, amor-solidariedade, amor-compaixão, entre as mentes e corações afins, encarnados e desencarnados, na dinâmica da vida imperecível.

(ANATONIA DO DESENCARNE)
Fonte:http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/desencarne/morte-e-significado.html