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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Morte e significado

Cícero Marcos Teixeira

Vamos procurar analisar parcial e genericamente alguns aspectos de mortes violentas, através de acidentes ou desastres dolorosos.

O que ocorre com as pessoas que são surpreendidas com a morte física num desastre?

Quais as sensações e emoções que as vítimas de um acidente fatal sentem ou vivenciam nos momentos deste tipo de morte?

Tomando por fundamentação teórica os ensinamentos espíritas, e com base em informações mediúnicas confiáveis, pode-se estabelecer alguns princípios gerais para elucidar a dinâmica do fenômeno da morte ou desencarnação e o processo do morrer propriamente dito.

Em princípio, é necessário esclarecer que a morte é um fenômeno natural inerente à dinâmica da própria vida.

O que é que morre ou desencarna?

Apenas o corpo físico morre, isto é, passa por uma série de transformações psicobiofísicas de degradação energética, com rupturas dos centros vitais bioenergéticos que integram os diferentes sistemas atômicos celulares componentes de tecidos, órgãos, aparelhos e demais sistemas interativos que compõem o organismo humano como verdadeiro eco-sistema de manifestação vital.

Resumidamente, na visão materialista, a morte significa o caos orgânico, irreversível, culminando na cessação de todas as funções vitais e conseqüente desagregação do organismo físico, através da decomposição cadavérica, nada restando após a morte propriamente dita.

Na visão espiritualista de um modo geral, algo sobrevive após o fenômeno da morte física.

Sem maiores detalhes ou considerações filosóficas, o espiritualista de um modo geral, admite a existência da alma ou do Espírito e, portanto, ao morrer, independente do gênero de morte ou desencarne, a alma ou espírito sobrevive, continuando a viver no mundo espiritual.

O espiritualista espírita descortina um horizonte mais amplo, tendo um acervo de ensinamentos esclarecedores sobre a dinâmica da morte e do morrer, relacionado ao gênero de vida consciencial da criatura humana, independente da faixa etária, sexo, raça, cultura, religião, posição social, etc.

No caso particular da visão espírita, a morte ou desencarnação propriamente dita implica uma série de fenômenos não só psicobiofísicos: também inclui outros de natureza anímico-conscienciais extrafísicos, paranormais e mediúnicos de grande complexidade que, direta ou indiretamente, podem evidenciar a sobrevivência do espírito ou consciência que continua a viver após a ruptura dos laços bioenergéticos que mantinham o organismo físico em plena atividade, como veículo ou instrumento de manifestação do espírito encarnado, durante a respectiva cota de tempo de vida, compatível com as necessidades e projetos de realização e auto-realização consciencial, em cada experiência reencarnatória.

Assim sendo, a vida inteligente, consciencial, não se extingue com a morte física propriamente dita. O Eu-consciencial ou Espírito, ser pensante, volitivo, dotado de instinto, emoção, sentimento, razão, linguagem conceitual e demais atributos humanos, ao passar pelo fenômeno da morte do corpo físico, de acordo com seu estágio evolutivo espiritual, terá maior ou menor autonomia e maior ou menor lucidez consciencial, cognitiva,

afetiva e volitiva, para compreender as diferentes fases do processo da morte física propriamente dita.

De acordo também com seu grau de educação consciencial e espiritual e, ainda, conforme as ações e obras realizadas em vida, terá maior ou menor merecimento, além do sentimento de auto-estima pelo cumprimento dos deveres e realizações edificantes não só em beneficio próprio, como, também, em favor dos seus semelhantes, da comunidade e da sociedade em geral.

Em tais circunstancias, os que viveram edificantemente, independente de rótulos místicos ou religiosos, apresentam melhores condições psicodinâmicas conscienciais para compreender e aceitar com maior ou menor autocontrole, equilíbrio e serenidade as surpresas da sua própria desencarnação.

Por outro lado, os que em decorrência da imaturidade consciencial, espiritual, cometeram equívocos, vivendo egoísta e egocentricamente, não aproveitando bem as lições da vida, no sentido de promover o auto-conhecimento e a construção da paz dentro e fora de si mesmos, apegando-se ao corpo físico como única realidade e razão de ser. estes que assim viveram terão maiores dificuldades para compreender e aceitar a surpresa da própria morte física e a grande realidade de sua própria sobrevivência como espírito desencarnado.

Isto não que dizer que a pessoa esteja condenada pela eternidade afora a um sofrimento infernal, tal qual as religiões dogmáticas e sectárias incutiram na mente popular.

Absolutamente. Cada consciência, de acordo com seu biorritmo e tempo de assimilação e vontade de reconstruir o próprio destino, para melhor, terá tantas oportunidades de aprendizagem auto-redentora quantas necessitar para construir a própria plenitude consciencial e existencial ao longo das vidas sucessivas.

Deste modo, na visão espírita, a vida é imperecível e o ser humano é um agente co-criador integrante do Plano Divino da Criação, e, conseqüentemente, arquiteto de seu próprio destino feliz ou infeliz.

Esta digressão teórica se faz necessária no sentido de estabelecer alguns princípios gerais relativos ao fenômeno da morte e seu significado.

I—A morte é apenas uma mudança de estado de ser. de pensar, de sentir e agir.

É natural a reação de rejeição e não-aceitação da morte, qualquer que seja a situação circunstancial.

Esta reação é geral, sendo uma decorrência espontânea do instinto de conservação e auto-preservação inato no ser humano.

Graças ao instinto de conservação, reprodução e autodefesa, a espécie humana se mantém, sobrevivendo aos grandes desafios da evolução onto e filogenética e da necessidade de adaptação evolutiva, em íntima interação com a multi-diversidade dos eco-sistemas ambientais do planeta Terra e sua respectiva Biosfera.

Assim sendo, na dinâmica da vida, nascer, crescer, reproduzir, viver e morrer constituem um processo bioenergético, psicobiofísico, anímico-consciencial, universal, presente em todos os Reinos da Natureza, em sua multidimensionalidade física e extra-física.

O medo da morte é, pois, uma reação instintiva que se evidencia através do comportamento humano ao longo da evolução histórica, antropológica, cultural, religiosa, etc. da humanidade terrestre, variando com a época e com as características culturais, costumes, práticas e tradições religiosas de diferentes tribos, povos, raças e nações, tanto no Oriente quanto no Ocidente.

Entretanto, parece haver em todas as culturas, ao longo das diferentes épocas da história, a crença mais ou menos generalizada na sobrevivência espiritual do ser humano.

As diferentes tradições religiosas criaram diferentes regras e procedimentos ritualísticos místico-religiosos, influenciando a mente popular, submetendo-a aos dogmas e preceitos estabelecidos pelas diferentes religiões no mundo, e direta ou indiretamente, implícita ou explicitamente, o medo da morte vem passando de geração a geração.

Nos tempos atuais, com o advento da tanatalogia como uma área de investigação e conhecimento cientifico, o tabu da morte aos poucos vai se transformando numa visão mais realística e consentânea com o progresso das investigações dos fenômenos paranormais que ocorrem com os doentes terminais e nas experiências da chamada morte aparente.

Como decorrência, a morte está sendo encarada com maior naturalidade, despida daqueles paramentos fúnebres e lúgubres de décadas atrás.

Neste particular a contribuição do Espiritismo é inegável e valiosamente significativa para desmitificar e desmistificar a morte como algo terrível, assustador e um caminho sem volta.

A morte ou desencarnação é, pois, apenas e tão-somente uma transmutação profunda psicobifísica, anímica e consciencial, refletindo intensamente no pensar, sentir e agir do ser humano, que deixa de se manifestar na vida de relação no plano físico, através do respectivo corpo psicossomático para continuar a pensar, sentir e agir sem o instrumento físico, no reino do Espírito, onde igualmente a vida de relação continua em outras tonalidades vibratórias, por meio da manifestação do pensamento e da vontade, de acordo com o grau de evolução e maturidade consciencial e espiritual alcançado, em sua última experiência reencarnatória.

II—A vida de relação não cessa com a morte física propriamente dita.

Os diferentes e diversificados fenômenos paranormais e mediúnicos, observados por ocasião não só da morte física, como também através de manifestações espontâneas ou provocadas experimentalmente, sugerem de maneira significativa que o ser humano desencarnado mantém uma dinâmica interação volitiva, energética, inteligente e afetiva, no mundo espiritual ou espiritosfera, em obediência à lei de sintonia, afinidade e ressonância vibratórias.

Isto posto, fica entendido que o intercâmbio mediúnico é um fenômeno universal entre encarnados e desencarnados e se verifica também entre os desencarnados no Reino dos Espíritos ou Espiritosfera, obedecendo-se aos mesmos princípios universais da lei de afinidade, sintonia e ressonância, correspondentes aos respectivos planos multi e transdimensionais extrafisicos conscienciais.

Deste modo, desde a mais remota antigüidade, o fenômeno mediúnico sempre foi uma prova de que o intercâmbio mediúnico entre encarnados e desencarnados existiu sempre como um fato natural e de amplitude universal.

III—O princípio de interdependência e de interação psicodinâmica entre encarnados e desencarnados é um fenômeno universal.

Assim sendo, as ações e reações interativas entre os seres humanos encarnados e desencarnados ocorreram sempre ao longo da história da humanidade terrestre, dando origem às diferentes manifestações místico-religiosas que fazem parte da herança cultural de todos os povos, raças e nações, tanto no Oriente como no Ocidente.

Estas interações podem se manifestar de maneira sutil ou ostensiva, assumindo características harmônicas ou desarmônicas, em função de sua influência positiva ou negativa no comportamento individual ou coletivo do ser humano.

IV—Os Espíritos desencarnados podem se manifestar espontaneamente ou por meio de evocação.

Em decorrência dos princípios anteriores, a manifestação do Espírito desencarnado pode se dar espontaneamente em função da lei de sintonia e afinidade. Os espíritos são atraídos em razão da existência de laços de simpatia que os atraem para se manifestarem a pessoas no meio onde vivem, objetivando manter uma relação harmônica, edificante e solidária.

Podem também ser conseguidas tais manifestações por meio de evocações, e de motivos justos, que justifiquem tal procedimento com finalidade de investigação e pesquisas sérias e construtivas.

V—A morte ou desencarnação, mediante um desastre doloroso e fatal, é diferente e específica para cada um, embora as circunstancias do desastre sejam as mesmas para todos os envolvidos no acidente.

Isto quer dizer que a morte física de uma pessoa está intimamente relacionada com a respectiva herança cármica e suas necessidades de auto-redenção.

Aliás, tal princípio se aplica a qualquer gênero de morte ou desencarne

VI—Ninguém, em circunstancias de morte violenta, em acidentes fatais, jamais estará desamparado, à míngua de uma assistência espiritual socorrista.

Todos são socorridos e atendidos em suas necessidades específicas, de acordo com o respectivo grau de maturidade consciencial, merecimento e a gravidade do estado pessoal de cada um.

Quando ocorre um acidente ou desastre doloroso no plano físico, imediatamente, no mundo espiritual, os Centros ou Núcleos de Pronto Socorro e Atendimento Espiritual mais próximos tomam conhecimento da ocorrência, providenciando com a máxima urgência o socorro das vítimas acidentadas que venham a morrer ou que fiquem politraumatizadas e em estado grave no local do sinistro.

Nestas circunstancias emergenciais a pessoa moribunda agonizante ou desencarnante emite pensamentos aflitivos que se propagam na multidimensionalidade extrafísica, como se fossem verdadeiros S.O.S. telepáticos, os quais são devidamente captados e registrados por meio de sofisticada tecnologia, possibilitando a imediata localização e identificação pessoal das vítimas do desastre.

Equipes de socorro espiritual dirigem-se imediatamente ao local do acidente para a prestação do respectivo socorro e demais providências de amparo assistencial.

A título de exemplo, no capítulo XVIII—Resgates Coletivos, do livro Ação e Reação, psicografado e editado pelo Espírito André Luiz, 2a. ed. FEB, páginas 236 e seguintes, encontra-se o relato de um desastre aviatório.

Qual era a situação das pessoas vitimadas?

Vários desencarnados no referido acidente encontravam-se em posição de choque, presos aos respectivos corpos físicos, mutilados parcial ou totalmente, entretanto alguns apresentavam-se em melhores condições de lucidez consciencial.

Outros sentiam-se imantados aos próprios restos cadavéricos, gemendo de dor e sofrimento, e outros ainda gritavam em desespero, mantendo-se também aprisionados aos despojos físicos, em violenta crise de inconsciência, numa profunda perturbação.

Os espíritos socorristas, médicos e enfermeiros em especial, a todos atendiam com elevado sentimento de compaixão, prestando a assistência espiritual de acordo com a situação de cada um.

Comentários elucidativos a respeito da situação de cada vítima, feitos por generoso mentor espiritual, merecem ser analisados para efeitos de esclarecimentos educativos, objetivando a autoconscientização e o autoconhecimento de cada um e de todos.

1. O socorro espiritual é ministrado indistintamente a todos, sem nenhuma exceção.

2. A expressão—"Se o desastre é o mesmo para todos, a morte é diferente para cada um", é um ensinamento importante e merece ser assimilado.

3. Nem todos podem ser retirados dos despojos físicos, cadaverizados, logo imediatamente.

4. A afirmação de que "Somente aquele cuja vida interior lhe outorga a imediata liberação", é de relevante significado educativo, pois revela a necessidade moral de se buscar o autoconhecimento e a conseqüente emancipação psicológica e emocional indispensável para maior autonomia e discernimento conscienciais, ainda em plena vida física.

Consequentemente, isto implica um processo de autoeducação pessoal, ao longo da vida, face aos grandes desafios existenciais, exigindo a autotransmutação, capaz de conferir a cada um a plena liberdade e autonomia no pensar, sentir e agir, em harmonia com as Leis da Vida, na construção da paz dentro e fora de si mesmo, e na vivência do bem incondicional.

As pessoas que se dispuseram a viver em harmonia com a cosmoética nada têm a temer diante do momento decisivo e crucial da própria morte física.

5. Aquele cuja vida consciencial se manteve em desalinho, vivendo em descompasso desarmônico com as Leis da Vida, concentrando-se no egoísmo egocêntrico, perdendo valiosas oportunidades de amar e bem servir ao próximo como a si mesmo, e, por conseguinte, ficando mais condicionado às manifestações instintivas e emocionais, sem nenhuma preocupação com os valores espirituais para o próprio crescimento e desenvolvimento consciencial, este fica apegado ao corpo físico, não tendo condições de manter equilíbrio harmônico e a lucidez consciencial indispensáveis à neutralização dos impulsos de atração e imantação energética que o retém ao cadáver mutilado.

Nestas circunstancias, o desencarnado permanecerá ligado por tempo indeterminado aos despojos cadavéricos que lhe pertencem.

6. Este tempo indeterminado está na dependência "do grau de animalização dos fluídos que lhes retêm o espírito à atividade corpórea". (p. 238).

Pode levar horas, dias ou meses até a completa e plena auto-libertação psicológica, emocional, consciencial e espiritual.

7. As expressões seguintes merecem ser meditadas por sua relevante transcendência:

a) "Corpo inerte nem sempre significa libertação da alma". b) "O gênero de vida que alimentamos no estágio físico dita as verdadeiras condições de nossa morte" (p. 238).São por demais claras e, de certo modo, contundentes, no sentido de não deixar dúvidas ou escapismos.

8. Outra expressão complementar às já mencionadas também deve ser motivo de reflexão—"Morte física não é o mesmo que emancipação espiritual" (p. 239).

9. Mas aquelas vítimas desencarnadas no desastre, as quais não têm condições de se afastar do próprio cadáver, mediante a ruptura dos laços bioenergéticos que ligam o espírito ao corpo físico, através dos respectivos centros vitais ou chakras existentes no perispírito, estas vítimas ficarão relegadas ao sabor das circunstancias, por tempo indefinido, sem nenhum outro tipo de assistência socorrista?

Jamais isto acontece.

Todas, sem exceção, são amparadas sempre.

"Ninguém vive desamparado. O amor infinito de Deus abrange o Universo". (p. 239).

10. O ser humano encarnado ou desencarnado pode, a cada momento da existência, por meio do Bem "sentido e praticado", também modificar seu próprio destino para melhor, neutralizando ações e reações negativas circanstanciais, afastando do próprio horizonte "as nuvens de sofrimentos prováveis". (p. 240).

Mas indagações se impõem.

- Quais as causas que originaram semelhante provação?

- Quais os fatores circunstanciais que direta ou indiretamente contribuíram para a morte violenta e dolorosa através de desastres ou acidentes fatais?

A resposta encontra-se nos ensinamentos luminosos e redentores do Cristo, quando afirma:

"A cada um será dado segundo suas obras" ou "Cada um colhe de acordo com o que semeia".

Este ensinamento expressa a Lei de Ação e Reação ou Lei de Causa e Efeito, também ensinada pela sabedoria milenar do Oriente como Lei do Carma.

A título de esclarecimento, poder-se-ia estabelecer possíveis correlações entre a herança cármica individual ou coletiva, para poder explicar a origem de tais acontecimentos provacionais, dolorosos e irreversíveis.

Sem pretender aprofundar o tema relativo a Lei do Carma, algumas relações podem ser estabelecidas, tais como:

a) As vitimas de hoje, perdendo a vida de modo tão trágico e violento, poderiam, em outras épocas passadas, ter cometido crimes não menos violentos também, atirando pessoas ou desafetos indefesos do "cimo de torres altíssimas, para que seus corpos se espatifassem no chão"...

b) As vítimas dos desastres de hoje poderiam ser as mesmas pessoas que em tempos passados se entregavam à pirataria, cometendo crimes hediondos em alto mar.

c) Ou suicidas que se precipitaram de edifícios ou se lançaram de elevados picos à beira de verdadeiros abismos, estraçalhando o corpo físico contra os rochedos pontiagudos, em manifesta rebeldia, insubmissão e desrespeito às leis da vida.

d) Ou também homicidas que praticaram crimes hediondos, seqüestrando e incendiando aldeias indefesas, ceifando vidas de crianças e adolescentes, estuprando e violentando mulheres para assassiná-las posteriormente com requintes de crueldade, ou que massacraram pessoas idosas sem piedade.

Quantos homens e mulheres, crianças e jovens, vivendo atualmente, em cuja ficha cármica encontram-se registrados erros e equívocos do passado próximo ou milenar, aguardando o despertar e o amadurecimento consciencial de cada um, para o indispensável trabalho educativo da própria redenção, através de novas oportunidades existenciais de trabalhar construtivamente na reconstrução do próprio destino para melhor, reencontrando as antigas vítimas e algozes de passadas existências, na condição de familiares, pais, filhos, irmãos, parentes ou amigos, para juntos viverem as lições do amor e do perdão incondicionais, sem o que não haverá paz na consciência e tampouco a plena quitação com a Lei de Deus.

11. Entretanto, é também da própria Lei Cármica que, a todo e qualquer momento, cada consciência encarnada ou desencarnada poderá modificar o próprio destino para melhor desde que se disponha a amar e servir, trabalhando na semeadura do Bem, adquirindo desta forma, pelo trabalho de auto-regeneração redentora, os indispensáveis créditos de merecimento que lhe

trarão a paz consciencial, anulando os reflexos negativos decorrentes das ações infelizes do passado próximo ou remoto.

Deste modo "gerando novas causas com o bem, praticando hoje, podemos interferir nas causas do mal, praticado ontem, neutralizando-as e reconquistando, com isso, o nosso equilíbrio". (241).

12. É possível escolher o gênero de provações existenciais e até mesmo o gênero de morte?

Sem dúvida. Para tanto é indispensável ter adquirido maturidade espiritual e o merecimento indispensável para se propor e planejar uma nova existência reencarnatória, tendo em vista cooperar para o progresso e o bem comum, através de uma vida de trabalho, doação, sacrifício e renúncia, dedicando-se aos mais diversificados projetos de realização progressista, em benefício da coletividade em geral, contribuindo muitas vezes com o sacrifício da própria vida.

Assim sendo, muitos se preparam em tempo hábil, antes de uma nova reencarnação, habilitando-se para correr o risco de vida, e sofreram até mesmo morte violenta, em benefício do progresso das ciências em geral, das artes, da medicina e saúde, da indústria, da pesquisa de ponta em laboratórios e projetos de reconhecida periculosidade, em favor do progresso da navegação marítima, da aeronáutica, da engenharia, dos transportes terrestres, das viagens espaciais, da liderança política e do trabalho edificante e sacrificial no campo das reformas político-sociais, econômicas e educacionais, etc., objetivando beneficiar a sociedade em geral, promovendo direta ou indiretamente o desenvolvimento de um povo, da nação ou país na construção da paz e da justiça sociais.

Como se vê, a Lei Divina é Lei de Amor, Justiça e Misericórdia, não excluindo nenhum ser humano do direito de ser artífice do próprio destino.

13. Uma outra pergunta se faz necessária para maior elucidação do tema em estudo.

Todos terão condições de tomar esta decisão, no sentido de escolher o gênero de provação sacrificial?

Nem todos, porque a livre escolha depende do estágio de maturidade espiritual alcançado e, também, das auto-realizações no campo das ações edificantes e benéficas em prol do semelhante, das antigas vítimas do passado, dos que direta ou indiretamente foram atingidos por nossa insanidade na prática do mal.

É indispensável, pois, que cada espírito ou Eu-Consciencial já tenha adquirido a plena consciência no pensar, sentir e agir com lucidez e discernimento na mais íntima interação com as Leis da Vida, amando e servindo pelo amor à verdade, ao bem incondicional, trabalhando proficuamente na reconstrução do próprio destino, dispondo-se a viver conscientemente a lei do amor, do perdão, ida solidariedade, sem nenhum preconceito ou condicionamentos atávicos segregacionistas de qualquer espécie.

Como se vê, a liberdade de escolha está na razão direta da conquista realizada pelo próprio espírito, no sentido do auto-conhecimento e da auto-transmutação consciencial, atingindo o maior índice possível de auto-realização na construção do reino de Deus dentro e fora de si mesmo.

É pois um longo processo de maturação consciencial, a que todos estamos submetidos, ao longo das múltiplas e milenárias experiências de aprendizagem existencial através das vidas sucessivas.

Daí por que o ensinamento milenar—o ser humano é arquiteto do próprio destino.

As religiões dogmáticas e sectárias que envenenaram a mente humana com as idéias de castigo, punição, inferno, penas eternas, excomunhão, favoritismo para conquistar as benesses do paraíso celestial, prometendo a salvação mediante indulgências, penitências e atos litúrgicos sacramentais, inerentes ao culto externo e a idolatrias, ensinando o temor a Deus, contribuíram direta ou indiretamente para que o medo patológico se instalasse na mente humana, ao longo da evolução histórica da humanidade terrestre, gerando o fanatismo, a intolerância e a separação entre crentes e descrentes, criando dependências psicológico-emocionais, escravizando mentes e corações.

A liberdade de escolha está diretamente associada ao princípio da responsabilidade individual e coletiva intransferível e irrevogável.

Cada qual, com sua respectiva herança cármica, muitas vezes é submetido a diferentes provas existenciais na infância, na mocidade, na idade adulta ou na velhice, passando por experiências de mutilação reversível ou não, por enfermidades de difícil tratamento a curto, médio ou longo prazo, por acidentes dolorosos e até mesmo a morte súbita em circunstancias inesperadas e traumatizantes.

Os seres humanos que estão onerados perante as leis éticas da vida e que para se redimirem têm necessidade de viver provações e lutas expiatórias, encontram aqueles outros que se dispõem a ajudá-los através das relações familiares na condição de pais, parentes ou amigos, e que juntos se dispõem coletivamente ao aprendizado redentor, porque na maioria das vezes estão também vinculados reciprocamente por compromissos e comprometimentos cármicos específicos.

A provação coletiva desperta o sentimento de solidariedade humana, impulsionando todos a uma revisão dos valores e significados éticos do viver, descortinando a cada um novos horizontes conscienciais .

Deste modo, pode-se afirmar que, no Plano Divino da Criação, não há falhas e a Lei é de Amor, Justiça e Misericórdia, concedendo a cada um e a todos iguais oportunidades de progresso material, e espiritualmente falando, através das vidas sucessivas, na construção e reconstrução de um destino feliz.

14. E a morte por suicídio?

Doloroso equívoco cometem aqueles cuja decisão final é o apelo ao suicídio, como medida extrema para solucionarem problemas aflitivos, psicológicos, emocionais, conscienciais e existenciais.

A maior surpresa é a de que a vida não se extingue com a morte do corpo físico.

Doloroso e grave engano, porque o suicida se vê muitas vezes jungido aos despojos cadavéricos, por tempo indeterminado, através dos laços bioenergéticos que ligam o perispírito ao respectivo corpo físico em decomposição.

As sensações e emoções experimentadas pelo suicida variam de caso para caso.

Há, entretanto, algo em comum, ou seja, a constatação de que a vida consciencial é indestrutível e que ninguém burla suas leis sem assumir pesados compromissos cármicos a impor a indispensável reparação compulsória, por ter rompido, prematuramente, os elos de ligação psicobiofísica que permitiram a manutenção da vida no plano físico por uma cota de tempo compatível com as necessidades específicas de auto-realização espiritual de cada um, através do cumprimento de um plano de realizações existenciais educativo, visando à plena harmonização consciencial com as leis da vida, e na execução de projetos específicos de aprendizagens provacionais, sacrificiais, missionárias ou de resgate inadiáveis, tendo em vista a necessidade moral de construir a própria redenção.

Os relatos mediúnicos contendo informações sobre a situação do suicida após o ato cometido são unanimes em afirmar o estado de dolorosa penúria do espírito, o qual se vê num processo psicodinamico e bioenergético de recapitulação compulsiva das ações desencadeadas em decorrência do suicídio, gerando um profundo sentimento de remorso, dor e sofrimento inomináveis.

Este estado de verdadeira psicose alucinatória assume características dantescas, dramáticas e traumáticas, e na maioria dos casos o suicida sente-se mais vivo e sensível aos embates da decomposição cadavérica do próprio corpo físico.

Ora se vê no local onde o ato se consumou, ora se vê autopsiado e ao mesmo tempo preso ao túmulo, onde jazem os restos mortais sepultados.

Neste verdadeiro inferno consciencial se debate por tempo indeterminado, podendo durar dias a fio, meses ou anos até que, pela dor e sofrimento, possa despertar mais lúcido para compreender melhor o equívoco cometido. Para tanto, o remorso e o arrependimento são etapas inerentes ao despertar consciencial, seguidas de uma necessidade moral profunda de se redimir perante a própria consciência e às Leis de Deus.

Durante todo este tempo não fica abandonado pela misericordiosa assistência espiritual dos espíritos socorristas e familiares em condições de ajudar, bem como de amigos e protetores, que, amorosamente, prestam o socorro necessário, sem entretanto violar o código ético da vida.

Após esta fase crucial, à medida que for apresentando sinais de melhor receptividade e lucidez, é submetido a um complexo tratamento magnético-espiritual específico, em clinicas altamente especializadas, encarregadas de dar atendimento psicoterápico e sonoterápico, objetivando a plena recuperação do suicida.

Geralmente, a morte por suicídio produz marcas profundas no perispírito, e elas poderão determinar lesões nos respectivos centros vitais e demais órgãos perispíriticos, que irão repercutir na embriogênese e organogênese de um novo corpo físico em uma próxima e futura reencarnação.

Em conseqüência, nas futuras reencarnações o suicida poderá apresentar malformações congênitas ou doenças hereditárias irreversíveis, na maioria dos casos, renascendo em situações de excepcionalidade, exigindo muito amor e dedicação dos pais e familiares, médicos e enfermeiros, e tratamento em clínicas especializadas.

Não se deve, nestes casos, pensar em castigos ou punições divinas, mas tão-somente no cumprimento da Lei do Carma genético.

Através destas limitações morfogenéticas a curto, médio ou longo prazo, o suicida de ontem renasce em um novo corpo físico, com disfunções congênitas reversíveis ou irreversíveis, como decorrência natural das lesões registradas na memória genética perispíritica que servirão de matrizes indutoras a influenciar negativamente durante a gestação, na organogênese e morfogênese, do novo corpo físico, determinando malformações congênitas ou doenças hereditárias, correspondentes às lesões perispíriticas causadas por traumatismos, em decorrência do suicídio cometido em vidas anteriores.

A título de esclarecimento, há também casos de suicídio indireto, no qual a pessoa não tem a deliberação plena de cometer o suicídio propriamente dito, mas, pelo tipo de vida que leva, sem maiores compromissos com a saúde física e mental, expondo-se a situações de risco por imprudência, ou praticando excessos de toda a natureza, poderá morrer prematuramente, sendo, portanto, considerado também um caso de suicídio indireto.

MORTE E EDUCAÇÃO

Vê-se pois, que a morte na visão espírita é u m fenômeno natural de mudanças e transmutações, inerentes à própria dinâmica da vida.

A Pedagogia espírita, propõe-se através da educação formal e informal, desenvolver uma ação educativa, iniciando no respectivo lar, tendo os pais como pedagogos e educadores, com a missão natural de orientar e educar os filhos, desde a fase preparatória antes da reencarnação propriamente dita, através do processo psicobiofísico da gestação, acompanhando-os com amor e dedicação em todas as fases do crescimento e desenvolvimento pleno, quando assumirão com maior consciência e responsabilidade deveres e obrigações de viver construtivamente, em harmonia consigo mesmos, com a natureza, com a sociedade, com a vida, cumprindo o plano divino de suas existências.

Compreendendo desde cedo que a vida é imperecível, e que o ser humano como espírito ou consciência em expansão é um agente co-criador que integra e participa de um plano maior, de acordo com o nível de maturidade consciencial alcançado, e com a correspondente autonomia relativa, de agir e interagir no contexto existencial que lhe é concedido viver, é natural e de esperar que venha gradativamente, pela educação recebida, a desenvolver uma cosmovisão existencial, sem as peias do medo de qualquer espécie e muito menos do medo da morte e do morrer.

Nesta perspectiva, a Educação espírita visa o Ser integral, homem ou mulher, cujos papéis no contexto do viver se complementam e se integram na grande sinfonia da vida, com iguais direitos e deveres éticos e cosmoéticos no desempenho de seu respectivo plano existencial.

Como decorrência lógica deste processo de educação anímico-consciencial permanente, cada pessoa vai sentindo a imperiosa necessidade ético-espiritual de expandir-se na busca do auto-conhecimento, na construção da plenitude consciencial, livre de preconceitos e condicionamentos atávicos ou adquiridos, limitadores da liberdade de pensar, sentir e agir em harmonia com as leis da vida, numa visão plena de totalidade, integração e complementaridade.

Assim sendo, o viver passa a ser uma aprendizagem constante em todas as etapas do crescimento e desenvolvimento pessoal, de uma autoconsciência holística, ecológica e integradora, a se manifestar através de um comportamento individual e social, construtivo, edificante e solidário, em todos os momentos de sua vida de relação.

Sabe, por experiência própria, através de uma educação holística espiritualista ou espírita, que a vida de relação não se extingue com a cessação da vida física, mas ultrapassa os limites espaço-temporais do aqui, agora, expandindo-se na multidimensionalidade extrafísica da Biosfera e do Universo.

Consequentemente, tem consciência e discernimento de que é um agente co-criador arquiteto do próprio destino em todos os níveis de manifestação da vi da consciencial .Assim sendo, sente a própria dimensão transcendente do viver no plano físico e extra-físico através de suas funções psi, anímico-mediúnicas, paranormais, que lhe possibilitam projetar-se fora do respectivo corpo físico, penetrando nos diferentes níveis e planos conscienciais extra-físicos, continuando na dinâmica da vida de relação a interagir com espíritos ou consciências afins, encarnados ou desencarnados, realizando novos aprendizados enriquecedores ou participando solidariamente nas tarefas e trabalhos assistenciais ou socorristas, vivendo conscientemente o amor solidário, o amor compaixão, o amor-fraternidade, expressões particulares do verdadeiro "amor ao próximo como a si mesmo", princípio universal da Cosmoética, sem cuja observância o ser humano encarnado ou desencarnado não poderá ser plenamente feliz e nem poderá viver em paz consigo próprio, com a vida, com a natureza e com a humanidade.

Ressalta-se, pois, a importância da Educação numa visão e abordagem holística, integradora, sem os condicionamentos dogmáticos e sectários que dividem e segregam os seres humanos de todas as raças, povos e nações, tanto no Oriente como no Ocidente.

Sem dúvida alguma, o Espiritismo vem contribuindo para o desenvolvimento desta consciência holística, individual e coletiva, sem violentar a liberdade de pensar e de escolher o próprio caminho para o auto-conhecimento e a auto-realização como Espírito ou uma consciência em expansão, na construção da plenitude existencial rumo à plenitude do Ser.

Tais princípios educativos, fazendo parte dos currículos educacionais nas escolas de ensino fundamental, ampliando-se no segundo grau e ensino superior, através de projetos psicopedagógicos multi e transdisciplinares integrantes de um plano educacional de maior amplitude, privilegiando a valorização da Vida, a educação física, mental e afetiva do ser humano numa perspectiva holística, integradora e transcendente, possibilitando o desenvolvimento cognitivo, afetivo e espiritual, com ênfase no auto-conhecimento, e numa cosmovisão transcendente da v ida, em que a morte não seja considerada o fim de tudo, mas apenas uma grande e profunda transmutação consciencial.

Deste modo, a convicção adquirida e consolidada através de um novo paradigma educacional—holístico, ecológico, espiritualista ou espírita, evolucionista, convicção não imposta— mas construída através da auto-educação, de que o Espírito ou o Eu-Consciencial é um ser. agente co-criador, e integrante do processo dinâmico da própria vida, evoluindo ao longo de um contínuo histórico através das vidas sucessivas, na construção e reconstrução do próprio destino, nesta perspectiva cada Consciência, tanto no plano físico ou extra-físico, sente a realidade existencial com maior amplitude, eliminando toda e qualquer reação instintiva de medo face aos grandes desafios educativos da Vida e do próprio viver.

Assim sendo, adquire e desenvolve a plena lucidez e discernimento, cognitivo e afetivo, de que a vida de relação se expande também, além do aqui, agora, possibilitando a interação entre encarnados e desencarnados, segundo os princípios universais da lei de afinidade, sintonia e ressonância.

Através da constatação do próprio potencial anímico-mediunico, a manifestar-se por meio das funções psi, paranormais, ampliando as percepções extra-sensoriais e autoprojeção, fora do corpo, a constatação da realidade multi e transdimensional espaço-temporal torna-se uma evidência incontestável, com profunda repercussão no comportamento ético individual e coletivo, podendo acelerar o processo das grandes transformações político-sociais, econômicas, culturais, ético-religiosas, educacionais, e do despertar de uma consciência ecológica, holística, harmônica e integradora, na construção da Paz individual e coletiva, indispensável à implantação de uma nova ordem, alicerçada na Cosmoética do "amor ao próximo como a si mesmo", em todos os níveis de manifestação consciencial.

A comprovação científica dos fenômenos naturais, inerentes ao intercâmbio mediúnico, muito contribuirá para evidenciar, com maior solidez, a sobrevivência espiritual do ser humano, na mais eloqüente demonstração universal de que a morte não rompe e nem destrói os laços afetivos de amor conjugal, amor paternal, maternal, amor filial, fraternal, amor-solidariedade, amor-compaixão, entre as mentes e corações afins, encarnados e desencarnados, na dinâmica da vida imperecível.

(ANATONIA DO DESENCARNE)
Fonte:http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/desencarne/morte-e-significado.html


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Ação e reação


Orson Peter Carrara

O Código penal da vida futura, apresentado por Allan Kardec na obra O Céu e o Inferno* (capítulo VII da primeira parte), é fonte de interessantes reflexões em torno da lei de ação e reação que rege os caminhos humanos.

Como pondera o próprio Codificador, no mesmo capítulo e com o subtítulo Princípios da Doutrina Espírita sobre as penas futuras, “(...) no que respeita às penas futuras, não se baseia num teoria preconcebida; não é um sistema substituindo outro sistema: em tudo ele se apóia nas observações, e são estas que lhe dão plena autoridade. Ninguém jamais imaginou que as almas, depois da morte, se encontrariam em tais ou quais condições; são elas, essas mesmas almas, partidas da Terra, que nos vêm hoje iniciar nos mistérios da vida futura, descrever-nos sua situação feliz ou desgraçada, as impressões, a transformação pela morte do corpo, completando, assim, em uma palavra, os ensinamentos do Cristo sobre este ponto. Preciso é afirmar que se não trata neste caso das revelações de um só Espírito, o qual poderia ver as coisas do seu ponto de vista, sob um só aspecto, ainda dominado por terrenos prejuízos, Tampouco se trata de uma revelação feita exclusivamente a um indivíduo que pudesse deixar-se levar pelas aparências, ou de uma visão extática suscetível de ilusões, e não passando muitas vezes de reflexo de uma imaginação exaltada. Trata-se, sim, de inúmeros exemplos fornecidos por Espíritos de todas as categorias, desde os mais elevados aos mais inferiores da escala, por intermédio de outros tantos auxiliares (médiuns) disseminados pelo mundo, de sorte que a revelação deixa de ser privilégio de alguém, pois todos podem prová-la, observando-a, sem obrigar-se à crença pela crença de outrem.”.

Esta transcrição inicial é importante para nos situarmos no universo de observações que se colocou o Codificador para elaboração da teoria espírita, advinda toda das revelações que os próprios espíritos fizeram.

O próprio O Livro dos Espíritos, obra lançada em 18 de abril de 1857 com os fundamentos doutrinários do Espiritismo e organizado em forma de perguntas e respostas, teve sua parte Quarta, com dois capítulos e exatas cem perguntas com suas respectivas respostas, totalmente dedicado ao tema das penas e gozos, terrenos e futuros.

No citado Código, que citamos no primeiro parágrafo acima, utilizaremos o 3º dos 33 itens, para orientar o desenvolvimento do tema. O texto original apresenta-se nos seguintes termos: Não há uma única imperfeição da alma que não importe funestas e inevitáveis conseqüências, como não há uma só qualidade que não seja fonte de um gozo.

Ora, são as imperfeições ou as qualidades da alma humana que geram suas ações felizes ou equivocadas. E essas ações estão caracterizadas com o selo moral do estágio em que se situa o ser. Portanto, os pensamentos, os sentimentos, e as próprias ações executadas no transcorrer de uma existência geram reflexos na própria existência, na vida espiritual ou até mesmo na próxima ou futuras existências, a depender é claro da extensão ou gravidade da ação promovida.

A lei de ação e reação, ou o a cada um segundo suas próprias obras, baseia-se num perfeito mecanismo de justiça e igualdade absoluta para todos. Não há qualquer favoritismo para quem quer que seja. Agindo bem, teremos o mérito do bem. Agindo mal, teremos as consequencias. Não se trata de castigo, em absoluto, mas de consequencias.

Qualquer prejuízo que causarmos a nós mesmos ou a terceiros, ocasionarão consequencias inevitáveis em nossa própria vida. Isto é da Lei Divina. E qualquer benefício que distribuamos gerará méritos e benefícios correspondentes em nosso próprio caminho, ainda que haja ingratidão dos beneficiados.

Passamos a entender, portanto, que fazer o mal a quem quer que seja nunca será compensador, pois sempre responderemos pelo mal que causemos, inclusive a nós próprios. E, do mesmo modo, toda felicidade ou tranqüilidade que proporcionarmos ao próximo redundará, inevitavelmente, em bem para nós mesmos.

Não é por outra razão que Jesus ensinou a perdoar. O ódio alimentado, a vingança executada ou a perseguição contumaz a qualquer pessoa redundarão em estágios de sofrimento e dor a seu próprio autor. Perdoando, libertamo-nos.

Também é pela mesma razão que a recomendação sempre constante é para que promovamos o bem, ainda que este não nos seja espontâneo (estamos aprendendo a incorporá-lo em nós mesmos), pois todo bem gera o bem. O mal sempre gerará consequencias desagradáveis.

Fácil perceber, portanto, que muitos sofrimentos existentes hoje na vida individual, social e coletiva, inclusive a nível de planeta, poderiam ser evitados se houvesse o conhecimento dessa realidade das consequencias geradas por nossos atos. Quantos equívocos pelo desconhecimento dessa lei que simplesmente usa a justiça e a igualdade como parâmetros...

Não temos o direito de ferir, de denegrir, de caluniar, de espoliar... Não temos igualmente o direito de matar, de roubar (bens, dignidade, oportunidades, paz, etc), de interferir na vida alheia, de impor idéias ou padrões que julgamos corretos. Entendamos que as criaturas são livres, desejam ser respeitadas, assim como queremos ser...

Este é o detalhe: as tentativas de dominação, imposição, de cerceamento da liberdade individual, sempre ocasionarão sofrimentos, pois todos somos seres pensantes, com vontade própria, responsáveis pelo próprio caminho. Poderemos, é claro, sugerir, aconselhar (se formos solicitados), auxiliar no que for possível, mas jamais violentar as consciências. Todas merecem respeito.

O tema suscita muitos debates, abre perspectivas imensas de estudo. Observa-se que as próprias leis humanas, refletindo as imperfeições do estágio evolutivo do planeta, muitas vezes são equivocadas, gerando também consequencias para o futuro. O que se observa atualmente é fruto de toda essa inconsciência coletiva dos mecanismos que nos dirigem a vida.

Há que se pensar no que estamos fazendo. Já não somos mais seres tão ingênuos que desconhecem as Leis Morais. Estamos todos num caminho evolutivo, onde os direitos são iguais. Tais direitos, abrangentes, devem ser respeitados pela igualdade e pela justiça.

E é justamente pelo desrespeito a tais princípios de igualdade e justiça que se observam os efeitos na vida material e na vida espiritual, com os depoimentos que os próprios espíritos trazem do estado em que se encontram, em virtude do padrão moral que adotaram no relacionamento uns com os outros ou consigo mesmos.

O próprio O Céu e o Inferno traz depoimentos, em sua segunda parte, de diferentes espíritos que descrevem a situação em que se encontraram após a morte. Mas a questão não é apenas para depois da morte. Há que se considerar a própria existência física, atual ou futura (s), onde os mesmos reflexos se fazem sentir.

Será de muita utilidade que possamos estudar e debater os itens do Código Penal da Vida Futura, constante do livro em referência, para espalhar tais esclarecimentos. Mesmo os depoimentos constantes da mesma obra, são de grande utilidade para estudos e reflexões.

São princípios desconhecidos da maioria dos espíritos encarnados no planeta, embora a consciência, onde está escrita a Lei de Deus (1), os avise de seus equívocos. Sufocados pelas imperfeições morais do orgulho, do egoísmo, da vaidade, ainda nos permitimos sufocar a própria consciência e agimos em detrimento uns dos outros. Daí as conseqüências inevitáveis e os sofrimentos...

Em tudo, porém, é preciso sempre considerar a misericórdia de Deus, que nunca abandona seus filhos e lhes abre sem cessar novas oportunidades de progresso. O tema é extenso, pois poderemos adentrar os domínios do arrependimento, expiação e reparação, mas desejamos mesmo é sugerir ao leitor a leitura atenta do Código constante em O Céu e o Inferno. Os itens enumerados, todos eles, abrem perspectivas imensas de entendimento e esclarecimento, o que seria impossível num artigo de poucas linhas. Melhor mesmo é buscar na fonte original a lucidez e clareza da própria Doutrina.

Para concluir, gostaríamos de oferecer à reflexão do leitor a frase de Joanna de Ângelis, na psicografia de Divaldo Pereira Franco, constante do capítulo 38 – A glória do trabalho –, do livro Lampadário Espírita (2): No lugar em que te encontras, sempre poderás semear a luz da esperança e do amor. Eis um programação de ação para modificar os panoramas da vida humana. Basta nos situarmos no esforço do bem, para gerar efeitos salutares de felicidade e saúde.

Se usarmos este roteiro nas atitudes de cada dia, pronto! Estaremos sintonizados com o bem, gerando efeitos de amor e alegria. Simples conseqüência da lei de ação e reação.

*Utilizamo-nos da 32ª edição da FEB, de 09/84, com tradução de Manuel Quintão.

(1) questão 621 de O Livro dos Espíritos, edição FEB.

(2) 3ª edição da Federação Espírita Brasileira, maio de 1978.

Matéria publicada originariamente na revista REFORMADOR, edição de novembro/04.
Fonte: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/orson/acao-e-reacao.html

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Transplante de Órgãos na Visão Espírita.

Desde a mais remota Antiguidade o homem tenta substituir partes do corpo e até mesmo órgãos inteiros por similares retirados de doadores. As primeiras notícias que mostram esse procedimento datam do ano 800 a.C., quando, na Índia, efetuaram-se transplantes para reparar partes lesadas do nariz com a pele retirada da fronte de um doador.
Nos tempos modernos, contudo, o primeiro transplante de um órgão vital executado com relativo sucesso ocorreu na África do Sul, em 1967, graças à habilidade do cirurgião Christian Barnard em dominar as técnicas operatórias cardiovasculares já então desenvolvidas. Hoje, devido a uma maior compreensão dos mecanismos responsáveis pela rejeição de tecidos, os transplantes cardíacos, hepáticos e renais têm ocorrido de maneira por assim dizer rotineira, em alguns casos permitindo sobrevida que ultrapassa uma dezena de anos.
Consciente da realidade do Espírito imoral, é natural que a grande família espírita de nosso país se preocupe com o assunto ou lhe oponha alguns questionamentos, sobretudo a partir da promulgação da Lei nº 9434, de 4 de fevereiro de 1997, que “dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento e dá outras providências”.
O cerne da questão é a denominada morte encefálica, na vigência da qual, órgãos ou partes do corpo humano são removidos para utilização imediata em enfermos deles necessitados. A dificuldade reside justamente em identificar, com precisão, se determinada criatura já preenche os requisitos exigidos para ser classificada nessa situação. Como imaginar que alguém possa ter morrido, se o seu coração ainda bate? E quem garante que a Medicina terá dado a sua última palavra ao afirmar que o agonizante em coma encontra-se em processo irreversível e inexorável em direção à morte? Afinal de contas, há tantos relatos verídicos de enfermos em tais condições que recuperaram parcial ou totalmente a saúde e se reintegraram ao convívio social... E se confundirmos o estado de morte encefálica, retirando órgãos vitais de pessoas ainda vivas? Qual a repercussão desse ato sobre o corpo físico do doente? Não estaríamos, nesta hipótese, cometendo um assassinato? E que dizer do perispírito, esse modelador plástico de importância tão significativa na elaboração do organismo em que vai habitar por algum tempo o Espírito imortal? Tais as questões sobre as quais importa nos fixemos na tentativa de esclarecer o assunto.
Vamos começar pela definição de morte encefálica. O conceito é baseado na constatação clínica de coma aperceptivo e ausência total de reflexos ou de movimentos supra-espinhais que não sejam provocados por hipotermia ou depressão medicamentosa, observados por um tempo mínimo de seis horas. Tal achado clínico deverá necessariamente respaldar-se em um exame subsidiário que demonstra de forma cabal e definitiva a ausência de atividade elétrica cerebral, de perfusão sangüínea cerebral ou de atividade metabólica. A primeira é evidenciada pelo eletroencefalograma e pelo estudo dos potenciais evocados; a segunda, pela arteriografia cerebral, pelo estudo radioisotópico, pela ultrasonografia transcraniana e pela monitorização da pressão intracraniana, enquanto a última poderá ser constatada pelo PET-SCAN e por métodos que medem a extração e o consumo de oxigênio (HC-FMUSP). Estar em morte encefálica, portanto, é estar em uma condição de parada definitiva e irreversível do encéfalo, incompatível com a vida e da qual ninguém jamais se recupera. Logo, os doentes considerados desenganados e em fase terminal que se recuperaram são aqueles que em verdade não preenchiam os critérios de morte encefálica, dela possuindo apenas a aparência, como certos estados comatosos que resultam da agressão de um ou de vários órgãos do corpo humano. Conseqüentemente, carece de argumentação científica o pretexto utilizado pelos espíritas para condenarem o transplante de órgãos: a eutanásia de modo algum se encaixaria nesses casos de morte encefálica comprovada.
Uma objeção por assim dizer ponderável que se faz no meio espírita em relação ao transplante de órgãos diz respeito às repercussões perispirituais que o Espírito possa vir a sentir. Diagnosticada a morte encefálica, experimentaria o Espírito algum tipo de dor no momento em que um órgão de seu corpo moribundo esteja sendo retirado pela equipe médica que intervém no processo? Os Espíritos reveladores informam que a separação da alma e do corpo não é dolorosa (“O Livro dos Espíritos”- questão 154), embora os relatos mediúnicos, sobretudo quando descrevem o sofrimento por que passam os suicidas, nos mostrem que alguns deles experimentam a sensação aterrorizadora da decomposição do corpo físico que já foi abandonado à sepultura! Ora, é a Doutrina Espírita também que nos esclarece que os laços perispirituais não se quebram, simplesmente se desatam. (Questão 155 - obra citada). Isso é facilmente entendido na chamada morte natural, aquela que sobrevém pelo esgotamento dos órgãos físicos, em conseqüência da idade ou de moléstia prolongada. Contudo, nos casos de morte violenta, em que a desencarnação não resultou da extinção gradual das forças vitais, sendo mais tenazes os laços que prendem o corpo ao perispírito, mais lento será o desprendimento completo do corpo espiritual. Ou seja, persistindo ainda alguns laços que prendem o perispírito ao corpo agonizante ou em estado de decomposição, conforme o tempo transcorrido é natural que, a alma experimente certa repercussão no corpo perispiritual provocada pela retirada dos órgãos que serão transplantados, sem que isso se traduza necessariamente por dor ou sofrimento.
No entanto, os Espíritos nos têm alertado sobre o cuidado que devemos observar diante da cremação de cadáveres. Segundo orientação transmitida pelos Imortais a Léon Denis, “a cremação provoca desprendimento mais rápido, mais brusco e violento, doloroso mesmo para a alma apegada à Terra por seus hábitos, gostos e paixões”. Emmanuel chega mesmo a recomendar que se procrastine a cremação por 72 horas, certamente em virtude dos ecos de sensibilidade existentes entre a alma e o corpo que será incinerado. Trazendo o problema para a órbita dos transplantes, poderíamos, da mesma forma, inferir que a retirada abrupta de tecidos ou órgãos de um corpo, cujos laços perispirituais ainda não se romperam completamente, possa levar a igual resultado, ou seja, provocará dor e sofrimento de gradação variada. É possível! Contudo, não nos esqueçamos de que o Espírito de um indivíduo que só viveu para a satisfação de seus instintos materiais e sensuais poderá experimentar também dores inenarráveis, em virtude do processo natural de decomposição do corpo que a morte colheu, ainda mesmo que tenha sido abençoado pela chamada morte natural e não haja sofrido o processo de cremação! Nele, o desprendimento do perispírito é bem mais lento, podendo durar dias, semanas ou meses. Recordemos, ainda, de situação que ocorre todos os dias nas grandes cidades: a prática da necrópsia, exigida por força da Lei, nos casos de morte violenta ou sem causa determinada: abre-se o cadáver, da região esternal até o baixo ventre, expondo-se-lhe as vísceras tóracoabdominais.
Muitas vezes a morte do corpo físico se verificou horas antes dessa intervenção, portanto, no período em que o desligamento dos laços perispirituais não se teria dado completamente, podendo o processo repercutir de forma dolorosa na alma que partiu! Muitos exemplos poderiam enumerar ainda para ilustrar outros casos que resultassem em idêntica conseqüência para o Espírito recém-chegado ao Plano Espiritual. Mas... sofreriam eles, realmente, em qualquer uma dessas situações? E a questão do mérito pessoal? Estaria o destino dos Espíritos desencarnados à mercê da decisão dos homens em retirar-lhes os órgãos para transplante, em cremar-lhes o corpo ou em retalhar-lhes as vísceras por ocasião da necrópsia?! O bom senso e a razão gritam que isso não é possível, porquanto seria admitir a justiça do acaso e o acaso não existe!
Jesus - Cristo marcou a sua passagem entre nós pelos exemplos de caridade de que se fez protagonista. A autoridade dos seus ensinamentos reside precisamente nos atos de nobreza com que dignificou o seu apostolado na Terra.
E quantas vezes Ele se serviu de imagens do cotidiano para ilustrar a Sua mensagem de paz e de boa vontade entre os homens! A parábola da ovelha e dos bodes, na alegoria do Juízo Final (Mateus 25:31-46), assim como a do Bom Samaritano (Lucas, 10:25-37) evidenciam o Seu empenho em nos apontar o verdadeiro caminho da felicidade eterna - a caridade, o amor na sua mais lídima expressão. As curas por Ele operadas em nome da fraternidade legítima, os exemplos numerosos de que deu testemunho ao vivenciar o entendimento, a tolerância, a humildade e o perdão sem fronteiras atestam de maneira eloqüente que o seu discurso estava perfeitamente alinhado com a conduta irrepreensível que dele fez o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo. (“O Livro dos Espíritos” - questão 625).
Paulo de Tarso, o vaso escolhido por Jesus para levar a mensagem libertadora do Evangelho muito além das acanhadas fronteiras de Israel é, também, um exemplo vivo de dedicação e de fidelidade à causa cristã. E ninguém melhor do que ele para compreender a exata dimensão do amor que se desprende das lições iluminadas da Boa-Nova: falar a língua dos homens e dos anjos; ter fé ao ponto de transportar montanhas; distribuir todos os bens, entre os pobres; e entregar o próprio corpo ara ser queimado, nada disso teria proveito se não fosse chancelado pelo amor. Amor paciente, benigno, que não arde em ciúmes, que não cuida dos seus interesses, que se regozija com a verdade, que sofre, que suporta tudo, que jamais acaba... (I Cor., 13:1-13).
A Doutrina Espírita, cumprimento da promessa de Jesus de permanecer eternamente conosco, resumiu todos os deveres do homem para consigo mesmo e para com o Criador através da máxima ”FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO” (Allan Kardec - “O Evangelho segundo o Espiritismo”, cap. 15, item 5). Seus missionários nada mais têm realizado do que observar fielmente esse preceito.
Ora, quando retiramos partes de um cadáver para transplantar em alguém não é o sentimento da mais pura caridade que nos impulsiona? Não estaremos animados daquele sentimento de solidariedade, de caridade pura e desinteressada a que o Evangelho se refere e nos convida a por em prática?
Sejamos pragmáticos. O Espiritismo não poderá jamais contestar interpretações que se afastem desse princípio, a pretexto de defender hipotéticas considerações doutrinárias, até mesmo a de que o transplante levaria à obsessão. A retirada de órgãos aproveitáveis de um cadáver para serem transplantados em alguém que deles necessite não afetará o Espírito que animava o corpo do doador, se este não merecer passar por esta prova. A Lei de Deus, além de justa, é eminentemente misericordiosa, representando o transplante de órgãos valiosa oportunidade dentre tantas outras colocadas à nossa disposição para o exercício da caridade. Estejamos, pois, certos de que “eventuais repercussões perispirituais ou ecos de sensibilidade que o Espírito possa vir a sentir são irrelevantes, diante de um Bem maior”. (Jornal Espírita - fev./98).
Finalmente, não nos esqueçamos jamais de orientar o receptor de transplantes acerca da aquisição e manutenção da saúde que realmente importa - a saúde do Espírito. Todas as criaturas que Jesus curou fisicamente experimentaram o fenômeno da morte do corpo físico, ascendendo às regiões inacessíveis ao sofrimento somente aquelas que foram reconhecidas por muito se amarem.
  
Fonte: Revista Reformador – outubro/1998
Evandro Noleto Bezerra


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Lei de causa e efeito



Temos que reconhecer que neste mundo equivocado que construímos, vivemos e sobrevivemos em torno dos efeitos. Os laboratórios gastam fortunas imensas para isolar um vírus ou uma bactéria no intuito de produzir os antídotos adequados ao combate de uma determinada doença que nada mais é do que um efeito causado pelo próprio homem. Valiosos recursos são investidos para viabilizar e aprimorar os transplantes de órgãos, os quais atendem ao mesmo propósito: sanear efeitos. Fundamentados nessa cultura estabelecida pelas conseqüências de causas não combatidas, são construídos todos os dias novos hospitais e presídios em todo o mundo.

A maior parte dos recursos gastos até hoje pela Ciência tem sido empregada para sanear os efeitos que, a cada década, se multiplicam em quantidade e diversidade, trazendo para o panorama terrestre as conseqüências da ação desequilibrada do espírito humano no trato dos valores essenciais da vida.

Todo mal que rouba a paz e a felicidade do ser humano se radica nas causas: as guerras, o terrorismo, as doenças e os transtornos mentais e psíquicos são provocados pela ignorância espiritual em que vive a maioria dos espíritos vinculados ao planeta Terra.

As Universidades todos os anos formam nossos jovens em várias especialidades cuja maioria se destina a cuidar dos efeitos. Quando o ser humano eliminar as causas que geram tais efeitos, não precisaremos mais de médicos, advogados, juízes, delegados, psicólogos, psiquiatras, etc. Enfim, todas as especialidades acadêmicas que sobrevivem dos efeitos se tornarão desnecessárias.

Você acendeu um facho de luz sobre muitas consciências que alimentam a vaidade acadêmica. A maioria dos homens não percebeu que os valores da Terra podem lhe auferir alguns títulos temporários, cujo valor existe apenas enquanto existir os efeitos dos quais sobrevivem, e que só os valores do espírito poderão lhe dar o respeito e a nobreza eterna.

Quando Albert Einstein afirmou que a Ciência, diante da realidade, é primitiva e inocente, com certeza visualizou essa realidade que acabei de expor. Mas, como disse, é o que temos de mais valioso; não fora a Ciência, não teríamos como amenizar o sofrimento humano causado pela sua incúria. Enquanto o homem não se conscientizar de que é preciso combater as causas, continuaremos necessitando das especialidades acadêmicas que fizeram de muitos homens verdadeiros sacerdotes nas várias áreas em que se empenharam salvando vidas e estabelecendo a justiça na Terra.

O homem, para sobreviver aos instantes que se aproximam, terá que desenvolver suas próprias virtudes e criar uma autêntica conexão com a realidade intrínseca à sua natureza espiritual.

Segundo Sócrates, o que há de comum entre todas as virtudes é a sabedoria! É o poder da alma sobre o corpo, a temperança ou o domínio de si mesmo.

O conhecimento espírita oferece aos de boa vontade recursos informativos imprescindíveis para o desenvolvimento das virtudes necessárias para uma real integração com sua mais profunda natureza. O Homem dispõe de inteligência, mas falta-lhe ainda a sabedoria.

Assim como o diamante reflete a luz do sol, o sábio é o diamante que reflete para o mundo a luz e a sabedoria de Deus.

Muitas vezes, a vida nos tem colocado em circunstâncias especiais para desenvolvermos a sabedoria, mas a vaidade e o orgulho acabam empanando nossa visão e nos tornamos cegos diante de valiosas oportunidades de libertação e crescimento espiritual.

É lamentável que só começamos a procurar o caminho da renovação depois que nos sentimos cercados pelos efeitos que criamos ao mergulharmos fundo no mundo das facilidades e das ilusões.

Livro: Einstein & Kardec – A Conexão Entre a Ciência e a Fé
Nelson Moraes
Aulus Editora

Autoria:
Colaboração: Fernando Peron

Fonte: http://www.neapa.org.br/ea111209b



segunda-feira, 15 de outubro de 2012

VISÃO ESPÍRITA DA AIDS


Além das recomendações da medicina, na visão Espírita, recomenda-se a não promiscuidade. A criatura humana deve manter-se dentro de atividades monogâmicas, para que a fantasia não a leve a um desvario desnecessário, que lhe trará muitas conseqüências no desvio da lei natural.

Na visão Espírita vamos observar que na maioria das vezes que nosso corpo enfermar, quase sempre existe em nosso perispírito um desequilíbrio profundo pedindo reajuste e que este desequilíbrio gera vibrações pestilentas que desorganizam o corpo físico, deixando-o aberto às doenças.

Dentro da dialética Espírita não existe casualidade ninguém se contagia por acaso, existe o convite, o contágio se faz quando existe a predisposição, afinidade vibratória entre o perispírito e o vírus, seja ele HIV ou outro. Mas podemos modificar o curso da nossas enfermidades, mudando o tom vibracional do nosso perispírito atuando na Fonte que é o Espírito e tudo isso passa pela nossa moralidade.

É interessante observar que nenhuma das campanhas que se tem feito nos mecanismos de comunicações, tem se dado ênfase a reforma moral do indivíduo. Segundo a visão Espírita o único meio eficaz de combater e de controlar a AIDS é pela reforma moral, pela moralização do ser, voltando aos velhos costumes tidos como arcaicos, mas que trazem a responsabilidade aos indivíduos no cultivo do sexo. É preciso reeducar-nos moralmente, não porque os outros nos cobrem tal reeducação; A transformação moral deve ser analisada, pensada, vivida, sem imposição de outras criaturas, quando Jesus afirmou "ATIRE A PRIMEIRA PEDRA AQUELE QUE ESTIVER SEM PECADO" foi justamente numa passagem em que a questão estava ligada ao sexo.

Nenhum de nós tem o direito de colocar o dedo em riste no rosto de ninguém a respeito de sexo e ficar contando vantagens em matéria de moral, quando em nossa vida particular temos problemas sérios, desta ou de outras encarnações, Todos nós carregamos imperfeições e julgarmo-nos superiores é agir com hipocrisia e preconceito. As pessoas devem ser livres e devemos auxiliá-las, se possível, dentro dos ensinamentos da Doutrina Consoladora. Ainda não vivificamos a lei do amor, pois, se assim fosse não haveria tanta violência no mundo. Os nossos irmãos que têm problemas psicológicos desta natureza devem procurar resolvê-los de acordo com sua consciência e buscar realizar a sua reforma não porque os outros impõem, mas porque é necessária, porque vão sentir-se felizes, mais próximos da lei natural, que é a lei do amor.
Todos nós temos o dever de participar para uma melhor compreensão deste problema social, como cidadãos do planeta terra, como verdadeiros cristãos, observando e seguindo a lei básica do Divino amigo Jesus " AMAR O PRÓXIMO COMO A SI MESMO". Os nossos irmãos que nascem com tendências homossexuais, não devem ser marginalizados pela sociedade, eles precisam de carinho de conversa, de orientação. Podemos fazer isso nos lares, nos Centros Espíritas aconselhando os que chegam, não no sentido moralista, pejorativo, mas como irmão. Quando a doença já estiver instalada, não há praticamente no momento, uma solução médica definitiva, mas espiritualmente, podemos auxiliá-los através do passe, da leitura de livros sadios onde encontrarão subsídios para sua renovação mental.

O homem da nossa década está sendo convidado a pensar sobre a seguinte questão COMO, COM QUEM, PARA QUE EU UTILIZO AS MINHAS ENERGIAS SEXUAIS? Toda criatura humana deve-se fazer esta pergunta, não só por causa da AIDS, mas para cumprir uma lei Universal.


Artigo gentilmente cedido por
ANABOR CARDOSO ARAÚJO
E-mail p/ contato: anabor2006@hotmail.com
Orador, articulista e dirigente espírita.
Grupo Espírita Renascer - Iguatama - MG
Fonte: http://www.ger.org.br/visao_espirita_da_aids.htm