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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Fora da caridade não há salvação


O de que precisa o Espírito para ser salvo. Parábola do bom samaritano.

1. Ora, quando o filho do homem vier em sua majestade, acompanhado de todos os anjos, sentar-se-á no trono de sua glória; - reunidas diante dele todas as nações, separará uns dos outros, como o pastor separa dos bodes as ovelhas, - e colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda.

Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do reino que vos foi preparado desde o princípio do mundo; - porquanto, tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; careci de teto e me hospedastes; - estive nu e me vestistes; achei-me doente e me visitastes; estive preso e me fostes ver.

Então, responder-lhe-ão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? - Quando foi que te vimos sem teto e te hospedamos; ou despido e te vestimos? - E quando foi que te soubemos doente ou preso e fomos visitar-te? - O Rei lhes responderá: Em verdade vos digo, todas as vezes que isso fizestes a um destes mais pequeninos dos meus irmãos, foi a mim mesmo que o fizestes.

Dirá em seguida aos que estiverem à sua esquerda: Afastai-vos de mim, malditos; ide para o fogo eterno, que foi preparado para o diabo e seus anjos; - porquanto, tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber; precisei de teto e não me agasalhastes; estive sem roupa e não me vestistes; estive doente e no cárcere e não me visitastes.

Também eles replicarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome e não te demos de comer, com sede e não te demos de beber, sem teto ou sem roupa, doente ou preso e não te assistimos? - Ele então lhes responderá: Em verdade vos digo: todas a vezes que faltastes com a assistência a um destes mais pequenos, deixastes de tê-la para comigo mesmo.

E esses irão para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna. (S. MATEUS, cap. XXV, vv. 31 a 46.)

2. Então, levantando-se, disse-lhe um doutor da lei, para o tentar: Mestre, que preciso fazer para possuir a vida eterna? - Respondeu-lhe Jesus: Que é o que está escrito na lei? Que é o que lês nela? - Ele respondeu: Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a tua alma, com todas as tuas forças e de todo o teu espírito, e a teu próximo como a ti mesmo. - Disse-lhe Jesus: Respondeste muito bem; faze isso e viverás.

Mas, o homem, querendo parecer que era um justo, diz a Jesus: Quem é o meu próximo? - Jesus, tomando a palavra, lhe diz:

Um homem, que descia de Jerusalém para Jericó, caiu em poder de ladrões, que o despojaram, cobriram de ferimentos e se foram, deixando-o semimorto. - Aconteceu em seguida que um sacerdote, descendo pelo mesmo caminho, o viu e passou adiante. -Um levita, que também veio àquele lugar, tendo-o observado, passou igualmente adiante. - Mas, um samaritano que viajava, chegando ao lugar onde jazia aquele homem e tendo-o visto, foi tocado de compaixão. - Aproximou-se dele, deitou-lhe óleo e vinho nas feridas e as pensou; depois, pondo-o no seu cavalo, levou-o a uma hospedaria e cuidou dele. - No dia seguinte tirou dois denários e os deu ao hospedeiro, dizendo: Trata muito bem deste homem e tudo o que despenderes a mais, eu te pagarei quando regressar.

Qual desses três te parece ter sido o próximo daquele que caíra em poder dos ladrões? - O doutor respondeu: Aquele que usou de misericórdia para com ele. - Então, vai, diz Jesus, e faze o mesmo. (S. LUCAS, cap. X, vv. 25 a 37.)

3. Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinos, ele aponta essas duas virtudes como sendo as que conduzem à eterna felicidade: Bem-aventurados, disse, os pobres de espírito, isto é, os humildes, porque deles é o reino dos céus; bem-aventurados os que têm puro o coração; bem-aventurados os que são brandos e pacíficos; bem-aventurados os que são misericordiosos; amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que quereríeis vos fizessem; amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quiserdes ser perdoados; praticai o bem sem ostentação; julgai-vos a vós mesmos, antes de julgardes os outros. Humildade e caridade, eis o que não cessa de recomendar e o de que dá, ele próprio, o exemplo. Orgulho e egoísmo, eis o que não se cansa de combater. E não se limita a recomendar a caridade; põe-na claramente e em termos explícitos como condição absoluta da felicidade futura.

No quadro que traçou do juízo final, deve-se, como em muitas outras coisas, separar o que é apenas figura, alegoria. A homens como os a quem falava, ainda incapazes de compreender as questões puramente espirituais, tinha ele de apresentar imagens materiais chocantes e próprias a impressionar. Para melhor apreenderem o que dizia, tinha mesmo de não se afastar muito das idéias correntes, quanto à forma, reservando sempre ao porvir a verdadeira interpretação de suas palavras e dos pontos sobre os quais não podia explicar-se claramente. Mas, ao lado da parte acessória ou figurada do quadro, há uma idéia dominante: a da felicidade reservada ao justo e da infelicidade que espera o mau.

Naquele julgamento supremo, quais os considerandos da sentença? Sobre que se baseia o libelo? Pergunta, porventura, o juiz se o inquirido preencheu tal ou qual formalidade, se observou mais ou menos tal ou qual prática exterior? Não; inquire tão-somente de uma coisa: se a caridade foi praticada, e se pronuncia assim: Passai à direita, vós que assististes os vossos irmãos; passai à esquerda, vós que fostes duros para com eles. Informa-se, por acaso, da ortodoxia da fé? Faz qualquer distinção entre o que crê de um modo e o que cru de outro'? Não, pois Jesus coloca o samaritano, considerado herético, mas que pratica o amor do próximo, acima do ortodoxo que falta com a caridade. Não considera, portanto, a caridade apenas como uma das condições para a salvação, mas como a condição única. Se outras houvesse a serem preenchidas, ele as teria declinado. Desde que coloca a caridade em primeiro lugar, é que ela implicitamente abrange todas as outras: a humildade, a brandura, a benevolência, a indulgência, a justiça, etc., e porque é a negação absoluta do orgulho e do egoísmo.

O mandamento maior

4. Mas, os fariseus, tendo sabido que ele tapara a boca aos saduceus, se reuniram; e um deles, que era doutor da lei, foi propor-lhe esta questão, para o tentar: -Mestre, qual o grande mandamento da lei? - Jesus lhe respondeu: Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito. - Esse o maior e o primeiro mandamento. - E aqui está o segundo, que é semelhante ao primeiro: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. - Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos. (S. MATEUS, cap. XXII, vv. 34 a 40.)

5. Caridade e humildade, tal a senda única da salvação. Egoísmo e orgulho, tal a da perdição. Este princípio se acha formulado nos seguintes precisos termos: "Amarás a Deus de toda a tua alma e a teu próximo como a ti mesmo; toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos." E, para que não haja equívoco sobre a interpretação do amor de Deus e do próximo, acrescenta: "E aqui está o segundo mandamento que é semelhante ao primeiro" , isto é, que não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar o próximo, nem amar o próximo sem amar a Deus. Logo, tudo o que se faça contra o próximo o mesmo é que fazê-lo contra Deus. Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima: FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO.

Necessidade da caridade, segundo S. Paulo

6. Ainda quando eu falasse todas as línguas dos homens e a língua dos próprios anjos, se eu não tiver caridade, serei como o bronze que soa e um címbalo que retine; -ainda quando tivesse o dom de profecia, que penetrasse todos os mistérios, e tivesse perfeita ciência de todas as coisas; ainda quando tivesse a fé possível, até o ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. - E, quando houver distribuído os meus bens para alimentar os pobres e houvesse entregado meu corpo para ser queimado, se não tivesse caridade, tudo isso de nada me serviria.

A caridade é paciente; é branda e benfazeja; a caridade não é invejosa; não é temerária, nem precipitada; não se enche de orgulho; - não é desdenhosa; não cuida de seus interesses; não se agasta, nem se azeda com coisa alguma; não suspeita mal; não se rejubila com a injustiça, mas se rejubila com a verdade; tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre.

Agora, estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade permanecem; mas, dentre elas, a mais excelente é a caridade (S. PAULO, 1ª Epístola aos Coríntios, cap. XIII, vv. 1 a 7 e 13.)

7. De tal modo compreendeu S. Paulo essa grande verdade, que disse: Quando mesmo eu tivesse a linguagem dos anjos; quando tivesse o dom de profecia, que penetrasse todos os mistérios; quando tivesse toda a fé possível, até ao ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. Dentre estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade, a mais excelente é a caridade. Coloca assim, sem equívoco, a caridade acima até da fé. É que a caridade está ao alcance de toda gente: do ignorante, como do sábio, do rico, como do pobre, e independe de qualquer crença particular.

Faz mais: define a verdadeira caridade, mostra-a não só na beneficência, como também no conjunto de todas as qualidades do coração, na bondade e na benevolência para com o próximo.

Fora da Igreja não há salvação. Fora da verdade não há salvação

8. Enquanto a máxima - Fora da caridade não há salvação - assenta num princípio universal e abre a todos os filhos de Deus acesso à suprema felicidade, o dogma - Fora da Igreja, não há salvação -se estriba, não na fé fundamental em Deus e na imortalidade da alma, fé comum a todas as religiões, porém numa fé especial, em dogmas particulares; é exclusivo e absoluto. Longe de unir os filhos de Deus, separa-os; em vez de incitá-los ao amor de seus irmãos, alimenta e sanciona a irritação entre sectários dos diferentes cultos que reciprocamente se consideram malditos na eternidade, embora sejam parentes e amigos esses sectários. Desprezando a grande lei de igualdade perante o túmulo, ele os afasta uns dos outros, até no campo do repouso. A máxima - Fora da caridade não há salvação consagra o princípio da igualdade perante Deus e da liberdade de consciência. Tendo-a por norma, todos os homens são irmãos e, qualquer que seja a maneira por que adorem o Criador, eles se estendem as mãos e oram uns pelos outros. Com o dogma - Fora da Igreja não há salvação, anatematizam-se e se perseguem reciprocamente, vivem como inimigos; o pai não pede pelo filho, nem o filho pelo pai, nem o amigo pelo amigo, desde que mutuamente se consideram condenados sem remissão. É, pois, um dogma essencialmente contrário aos ensinamentos do Cristo e à lei evangélica.

9. Fora da verdade não há salvação eqüivaleria ao Fora da Igreja não há salvação e seria igualmente exclusivo, porquanto nenhuma seita existe que não pretenda ter o privilégio da verdade. Que homem se pode vangloriar de a possuir integral, quando o âmbito dos conhecimentos incessantemente se alarga e todos os dias se retificam as idéias? A verdade absoluta é patrimônio unicamente de Espíritos da categoria mais elevada e a Humanidade terrena não poderia pretender possuí-la, porque não lhe é dado saber tudo. Ela somente pode aspirara uma verdade relativa e proporcionada ao seu adiantamento. Se Deus houvera feito da posse da verdade absoluta condição expressa da felicidade futura, teria proferido uma sentença de proscrição geral, ao passo que a caridade, mesmo na sua mais ampla acepção, podem todos praticá-la. O Espiritismo, de acordo com o Evangelho, admitindo a salvação para todos, independente de qualquer crença, contanto que a lei de Deus seja observada, não diz: Fora do Espiritismo não há salvação; e, como não pretende ensinar ainda toda a verdade, também não diz: Fora da verdade não há salvação, pois que esta máxima separaria em lugar de unir e perpetuaria os antagonismos.

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

Fora da caridade não há salvação

10. Meus filhos, na máxima: Fora da caridade não há salvação, estão encerrados os destinos dos homens, na Terra e no céu; na Terra, porque à sombra desse estandarte eles viverão em paz; no céu, porque os que a houverem praticado acharão graças diante do Senhor. Essa divisa é o facho celeste, a luminosa coluna que guia o homem no deserto da vida, encaminhando-o para a Terra da Promissão. Ela brilha no céu, como auréola santa, na fronte dos eleitos, e, na Terra, se acha gravada no coração daqueles a quem Jesus dirá: Passai à direita, benditos de meu Pai. Reconhecê-los-eis pelo perfume de caridade que espalham em torno de si Nada exprime com mais exatidão o pensamento de Jesus, nada resume tão bem os deveres do homem, como essa máxima de ordem divina. Não poderia o Espiritismo provar melhor a sua origem, do que apresentando-a como regra, por isso que é um reflexo do mais puro Cristianismo. Levando-a por guia, nunca o homem se transviará. Dedicai-vos, assim, meus amigos, a perscrutar-lhe o sentido profundo e as conseqüências, a descobrir-lhe, por vós mesmos, todas as aplicações. Submetei todas as vossas ações ao governo da caridade e a consciência vos responderá. Não só ela evitará que pratiqueis o mal, como também fará que pratiqueis o bem, porquanto uma virtude negativa não basta: é necessária uma virtude ativa. Para fazer-se o bem, mister sempre se torna a ação da vontade; para se não praticar o mal, basta as mais das vezes a inércia e a despreocupação.

Meus amigos, agradecei a Deus o haver permitido que pudésseis gozar a luz do Espiritismo. Não é que somente os que a possuem hajam de ser salvos; é que, ajudando-vos a compreender os ensinos do Cristo, ela vos faz melhores cristãos. Esforçai-vos, pois, para que os vossos irmãos, observando-vos, sejam induzidos a reconhecer que verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, dado que todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, sem embargo da seita a que pertençam. Paulo, o apóstolo. (Paris, 1860.).253O de que precisa o Espírito para ser salvo. Parábola do bom samaritano.

1. Ora, quando o filho do homem vier em sua majestade, acompanhado de todos os anjos, sentar-se-á no trono de sua glória; - reunidas diante dele todas as nações, separará uns dos outros, como o pastor separa dos bodes as ovelhas, - e colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda.

Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do reino que vos foi preparado desde o princípio do mundo; - porquanto, tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; careci de teto e me hospedastes; - estive nu e me vestistes; achei-me doente e me visitastes; estive preso e me fostes ver.

Então, responder-lhe-ão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? - Quando foi que te vimos sem teto e te hospedamos; ou despido e te vestimos? - E quando foi que te soubemos doente ou preso e fomos visitar-te? - O Rei lhes responderá: Em verdade vos digo, todas as vezes que isso fizestes a um destes mais pequeninos dos meus irmãos, foi a mim mesmo que o fizestes.

Dirá em seguida aos que estiverem à sua esquerda: Afastai-vos de mim, malditos; ide para o fogo eterno, que foi preparado para o diabo e seus anjos; - porquanto, tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber; precisei de teto e não me agasalhastes; estive sem roupa e não me vestistes; estive doente e no cárcere e não me visitastes.

Também eles replicarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome e não te demos de comer, com sede e não te demos de beber, sem teto ou sem roupa, doente ou preso e não te assistimos? - Ele então lhes responderá: Em verdade vos digo: todas a vezes que faltastes com a assistência a um destes mais pequenos, deixastes de tê-la para comigo mesmo.

E esses irão para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna. (S. MATEUS, cap. XXV, vv. 31 a 46.)

2. Então, levantando-se, disse-lhe um doutor da lei, para o tentar: Mestre, que preciso fazer para possuir a vida eterna? - Respondeu-lhe Jesus: Que é o que está escrito na lei? Que é o que lês nela? - Ele respondeu: Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a tua alma, com todas as tuas forças e de todo o teu espírito, e a teu próximo como a ti mesmo. - Disse-lhe Jesus: Respondeste muito bem; faze isso e viverás.

Mas, o homem, querendo parecer que era um justo, diz a Jesus: Quem é o meu próximo? - Jesus, tomando a palavra, lhe diz:

Um homem, que descia de Jerusalém para Jericó, caiu em poder de ladrões, que o despojaram, cobriram de ferimentos e se foram, deixando-o semimorto. - Aconteceu em seguida que um sacerdote, descendo pelo mesmo caminho, o viu e passou adiante. -Um levita, que também veio àquele lugar, tendo-o observado, passou igualmente adiante. - Mas, um samaritano que viajava, chegando ao lugar onde jazia aquele homem e tendo-o visto, foi tocado de compaixão. - Aproximou-se dele, deitou-lhe óleo e vinho nas feridas e as pensou; depois, pondo-o no seu cavalo, levou-o a uma hospedaria e cuidou dele. - No dia seguinte tirou dois denários e os deu ao hospedeiro, dizendo: Trata muito bem deste homem e tudo o que despenderes a mais, eu te pagarei quando regressar.

Qual desses três te parece ter sido o próximo daquele que caíra em poder dos ladrões? - O doutor respondeu: Aquele que usou de misericórdia para com ele. - Então, vai, diz Jesus, e faze o mesmo. (S. LUCAS, cap. X, vv. 25 a 37.)

3. Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinos, ele aponta essas duas virtudes como sendo as que conduzem à eterna felicidade: Bem-aventurados, disse, os pobres de espírito, isto é, os humildes, porque deles é o reino dos céus; bem-aventurados os que têm puro o coração; bem-aventurados os que são brandos e pacíficos; bem-aventurados os que são misericordiosos; amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que quereríeis vos fizessem; amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quiserdes ser perdoados; praticai o bem sem ostentação; julgai-vos a vós mesmos, antes de julgardes os outros. Humildade e caridade, eis o que não cessa de recomendar e o de que dá, ele próprio, o exemplo. Orgulho e egoísmo, eis o que não se cansa de combater. E não se limita a recomendar a caridade; põe-na claramente e em termos explícitos como condição absoluta da felicidade futura.

No quadro que traçou do juízo final, deve-se, como em muitas outras coisas, separar o que é apenas figura, alegoria. A homens como os a quem falava, ainda incapazes de compreender as questões puramente espirituais, tinha ele de apresentar imagens materiais chocantes e próprias a impressionar. Para melhor apreenderem o que dizia, tinha mesmo de não se afastar muito das idéias correntes, quanto à forma, reservando sempre ao porvir a verdadeira interpretação de suas palavras e dos pontos sobre os quais não podia explicar-se claramente. Mas, ao lado da parte acessória ou figurada do quadro, há uma idéia dominante: a da felicidade reservada ao justo e da infelicidade que espera o mau.

Naquele julgamento supremo, quais os considerandos da sentença? Sobre que se baseia o libelo? Pergunta, porventura, o juiz se o inquirido preencheu tal ou qual formalidade, se observou mais ou menos tal ou qual prática exterior? Não; inquire tão-somente de uma coisa: se a caridade foi praticada, e se pronuncia assim: Passai à direita, vós que assististes os vossos irmãos; passai à esquerda, vós que fostes duros para com eles. Informa-se, por acaso, da ortodoxia da fé? Faz qualquer distinção entre o que crê de um modo e o que cru de outro'? Não, pois Jesus coloca o samaritano, considerado herético, mas que pratica o amor do próximo, acima do ortodoxo que falta com a caridade. Não considera, portanto, a caridade apenas como uma das condições para a salvação, mas como a condição única. Se outras houvesse a serem preenchidas, ele as teria declinado. Desde que coloca a caridade em primeiro lugar, é que ela implicitamente abrange todas as outras: a humildade, a brandura, a benevolência, a indulgência, a justiça, etc., e porque é a negação absoluta do orgulho e do egoísmo.

O mandamento maior

4. Mas, os fariseus, tendo sabido que ele tapara a boca aos saduceus, se reuniram; e um deles, que era doutor da lei, foi propor-lhe esta questão, para o tentar: -Mestre, qual o grande mandamento da lei? - Jesus lhe respondeu: Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito. - Esse o maior e o primeiro mandamento. - E aqui está o segundo, que é semelhante ao primeiro: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. - Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos. (S. MATEUS, cap. XXII, vv. 34 a 40.)

5. Caridade e humildade, tal a senda única da salvação. Egoísmo e orgulho, tal a da perdição. Este princípio se acha formulado nos seguintes precisos termos: "Amarás a Deus de toda a tua alma e a teu próximo como a ti mesmo; toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos." E, para que não haja equívoco sobre a interpretação do amor de Deus e do próximo, acrescenta: "E aqui está o segundo mandamento que é semelhante ao primeiro" , isto é, que não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar o próximo, nem amar o próximo sem amar a Deus. Logo, tudo o que se faça contra o próximo o mesmo é que fazê-lo contra Deus. Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima: FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO.

Necessidade da caridade, segundo S. Paulo

6. Ainda quando eu falasse todas as línguas dos homens e a língua dos próprios anjos, se eu não tiver caridade, serei como o bronze que soa e um címbalo que retine; -ainda quando tivesse o dom de profecia, que penetrasse todos os mistérios, e tivesse perfeita ciência de todas as coisas; ainda quando tivesse a fé possível, até o ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. - E, quando houver distribuído os meus bens para alimentar os pobres e houvesse entregado meu corpo para ser queimado, se não tivesse caridade, tudo isso de nada me serviria.

A caridade é paciente; é branda e benfazeja; a caridade não é invejosa; não é temerária, nem precipitada; não se enche de orgulho; - não é desdenhosa; não cuida de seus interesses; não se agasta, nem se azeda com coisa alguma; não suspeita mal; não se rejubila com a injustiça, mas se rejubila com a verdade; tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre.

Agora, estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade permanecem; mas, dentre elas, a mais excelente é a caridade (S. PAULO, 1ª Epístola aos Coríntios, cap. XIII, vv. 1 a 7 e 13.)

7. De tal modo compreendeu S. Paulo essa grande verdade, que disse: Quando mesmo eu tivesse a linguagem dos anjos; quando tivesse o dom de profecia, que penetrasse todos os mistérios; quando tivesse toda a fé possível, até ao ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. Dentre estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade, a mais excelente é a caridade. Coloca assim, sem equívoco, a caridade acima até da fé. É que a caridade está ao alcance de toda gente: do ignorante, como do sábio, do rico, como do pobre, e independe de qualquer crença particular.

Faz mais: define a verdadeira caridade, mostra-a não só na beneficência, como também no conjunto de todas as qualidades do coração, na bondade e na benevolência para com o próximo.

Fora da Igreja não há salvação. Fora da verdade não há salvação

8. Enquanto a máxima - Fora da caridade não há salvação - assenta num princípio universal e abre a todos os filhos de Deus acesso à suprema felicidade, o dogma - Fora da Igreja, não há salvação -se estriba, não na fé fundamental em Deus e na imortalidade da alma, fé comum a todas as religiões, porém numa fé especial, em dogmas particulares; é exclusivo e absoluto. Longe de unir os filhos de Deus, separa-os; em vez de incitá-los ao amor de seus irmãos, alimenta e sanciona a irritação entre sectários dos diferentes cultos que reciprocamente se consideram malditos na eternidade, embora sejam parentes e amigos esses sectários. Desprezando a grande lei de igualdade perante o túmulo, ele os afasta uns dos outros, até no campo do repouso. A máxima - Fora da caridade não há salvação consagra o princípio da igualdade perante Deus e da liberdade de consciência. Tendo-a por norma, todos os homens são irmãos e, qualquer que seja a maneira por que adorem o Criador, eles se estendem as mãos e oram uns pelos outros. Com o dogma - Fora da Igreja não há salvação, anatematizam-se e se perseguem reciprocamente, vivem como inimigos; o pai não pede pelo filho, nem o filho pelo pai, nem o amigo pelo amigo, desde que mutuamente se consideram condenados sem remissão. É, pois, um dogma essencialmente contrário aos ensinamentos do Cristo e à lei evangélica.

9. Fora da verdade não há salvação eqüivaleria ao Fora da Igreja não há salvação e seria igualmente exclusivo, porquanto nenhuma seita existe que não pretenda ter o privilégio da verdade. Que homem se pode vangloriar de a possuir integral, quando o âmbito dos conhecimentos incessantemente se alarga e todos os dias se retificam as idéias? A verdade absoluta é patrimônio unicamente de Espíritos da categoria mais elevada e a Humanidade terrena não poderia pretender possuí-la, porque não lhe é dado saber tudo. Ela somente pode aspirara uma verdade relativa e proporcionada ao seu adiantamento. Se Deus houvera feito da posse da verdade absoluta condição expressa da felicidade futura, teria proferido uma sentença de proscrição geral, ao passo que a caridade, mesmo na sua mais ampla acepção, podem todos praticá-la. O Espiritismo, de acordo com o Evangelho, admitindo a salvação para todos, independente de qualquer crença, contanto que a lei de Deus seja observada, não diz: Fora do Espiritismo não há salvação; e, como não pretende ensinar ainda toda a verdade, também não diz: Fora da verdade não há salvação, pois que esta máxima separaria em lugar de unir e perpetuaria os antagonismos.

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

Fora da caridade não há salvação

10. Meus filhos, na máxima: Fora da caridade não há salvação, estão encerrados os destinos dos homens, na Terra e no céu; na Terra, porque à sombra desse estandarte eles viverão em paz; no céu, porque os que a houverem praticado acharão graças diante do Senhor. Essa divisa é o facho celeste, a luminosa coluna que guia o homem no deserto da vida, encaminhando-o para a Terra da Promissão. Ela brilha no céu, como auréola santa, na fronte dos eleitos, e, na Terra, se acha gravada no coração daqueles a quem Jesus dirá: Passai à direita, benditos de meu Pai. Reconhecê-los-eis pelo perfume de caridade que espalham em torno de si Nada exprime com mais exatidão o pensamento de Jesus, nada resume tão bem os deveres do homem, como essa máxima de ordem divina. Não poderia o Espiritismo provar melhor a sua origem, do que apresentando-a como regra, por isso que é um reflexo do mais puro Cristianismo. Levando-a por guia, nunca o homem se transviará. Dedicai-vos, assim, meus amigos, a perscrutar-lhe o sentido profundo e as conseqüências, a descobrir-lhe, por vós mesmos, todas as aplicações. Submetei todas as vossas ações ao governo da caridade e a consciência vos responderá. Não só ela evitará que pratiqueis o mal, como também fará que pratiqueis o bem, porquanto uma virtude negativa não basta: é necessária uma virtude ativa. Para fazer-se o bem, mister sempre se torna a ação da vontade; para se não praticar o mal, basta as mais das vezes a inércia e a despreocupação.

Meus amigos, agradecei a Deus o haver permitido que pudésseis gozar a luz do Espiritismo. Não é que somente os que a possuem hajam de ser salvos; é que, ajudando-vos a compreender os ensinos do Cristo, ela vos faz melhores cristãos. Esforçai-vos, pois, para que os vossos irmãos, observando-vos, sejam induzidos a reconhecer que verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, dado que todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, sem embargo da seita a que pertençam. Paulo, o apóstolo. (Paris, 1860.).253

Fonte: http://www.espirito.org.br/portal/codificacao/es/es-15.html


domingo, 18 de novembro de 2012

INFERTILIDADE NUMA VISÃO ESPIRITUAL

VICTOR PASSOS SUMARIO:
          1.Introdução.2.Conceitos.3.Citações.4.Historico.5.EnergiaSexual.6.Reencarnação.7.Programação Reencarnatória.8. Meios de vencer a infertilidade. 9.Conclusão.10.Bibliografia.

        1.Introdução

A lei de Reprodução, para o estagio vivencial neste plano terreno, proporciona a vinda de outros espíritos para a evolução. O objeto deste trabalho é perceber porquê da infertilidade? Qual a sua proveniência e causas que fazem com que haja a perda da sensibilidade e das capacidades inerentes à procriação. A apologia da problemática bifocal de ambos sexos, custos no contexto interpessoal e familiar. Relação consequencial que geram o vinculo da problemática e sua associação psíquica, espiritual e moral. A vida e razões de suas realizações provatórias proveniência dos seus custos emocionais e sensibilizadores, no padrão normal da complexidade Familiar. Espaço colateral da infertilidade como dano ou reabilitação moralizadora.

Palavras-chave: Infertilidade s. f. Qualidade do que é infértil. Esterilidade s. f.
. Qualidade de estéril. Infecundidade (animal). Fig. Escassez, Paralização.


2.Conceitos

A infertilidade - É o resultado de uma falência orgânica devida à disfunção dos orgãos reprodutores, dos gâmetas ou do concepto. Um casal é infértil quando não alcança a gravidez desejada ao fim de um ano de vida sexual contínua sem métodos contraceptivos. Esta definição é válida para o casal com vida sexual plena de amor e prazer em que a mulher tem menos 35 anos de idade (6 meses se mais ou menos 35 anos de idade), e em que ambos não conhecem qualquer tipo de causa de infertilidade que os atinja. Também se considera infértil o casal que apresenta abortamentos de repetição (mais ou menos três consecutivos).

Infertilidade é a incapacidade de conceber. Esterelidade é a incapacidade de conceber uma gravidez após um ano de relações sexuais desprotegidas.

oligospermias (pouca quantidade de espermatozoides na contagem do ejaculado). 
azoospermias (ausência completa de espermatozoides no ejaculado).

Ovócito - Um ovócito é uma célula feminina que contém metade dos cromossomas existentes nas células do organismo humano e que ao ser fecundada por um espermatozoide irá dar origem a um embrião. A mulher já nasce com todos os seus ovócitos, que por altura da puberdade são mais de 400.000. 

Espermatozoide - É a célula reprodutiva masculina de todos os animais.

Técnicas de Reprodução - Doação de espermatozoides, Doação de Ovócitos,

 Criopreservação de Sémen e Tecido Testicular, Ovócitos imaturos em Profase I (GV)
Criopreservação de Tecido Ovárico, Diagnóstico Genético Pré-Implatação (DGPI , Microinjecção (ICSI), Fecundação In Vitro (FIV), Inseminação Intra-Uterina (IIU, Indução da Ovulação.

Adoção - É o vínculo que, à semelhança da filiação natural, mas independentemente dos laços de sangue, se estabelece legalmente entre duas pessoas. Este vínculo constitui-se por sentença judicial proferida em processo que decorre no Tribunal de Família e Menores. Existem dois tipos de adoção que se distinguem, fundamentalmente. Adoção plena e Adoção restritiva.

Sexualidade – “ A sexualidade é uma energia que nos motiva para encontrar amor,contacto, ternura e intimidade;Integra-se no modo como sentimos , movemos, tocamos e somos tocados. A sexualidade influência pensamentos, sentimentos, ações e interações e por isso, influência a nossa saúde física e mental.”O.M.S.

3. Citações

“Biologicamente e por temperamento... as mulheres foram feitas para se preocuparem primeiro e principalmente com os cuidados com os filhos, cuidados com o marido e cuidados com o lar” (Benjamim Spock, 1969)

“Se olharmos a história, observaremos que o lugar e a valorização da maternidade no âmbito sociocultural se modificam e variam em função das diferentes épocas e contextos respondendo a interesses económicos, demográficos, políticos, etc. Sem dúvida, parece evidente que em toda sociedade patriarcal a mulher entra na ordem simbólica apenas como mãe”. Tubert (1991, p. 78),

         “Em decorrência desta “naturalização” das funções femininas, passou a ser demarcada uma série de características femininas(como, por exemplo, dedicação, abnegação, docilidade), quase todas elas vinculadas àquelas características necessárias a uma “boa mãe”, levando-se muitas vezes a se identificar feminilidade e maternidade”. Rocha-Coutinho (1994, p. 41)

            A infertilidade como “... um problema geralmente insolúvel que ameaça importantes objetivos de vida, onera recursos pessoais, e traz à tona importantes problemas do passado não resolvidos” (Stanton e Dunkel-Schetter, 1991

4.Historico

    Esta temática ainda encontra nos habitats mentais das personalidades, tabus, preconceitos e arrimos de vergonha. esta indução foi criada por uma repressão mental exercida pelos meios eclesiásticos dominantes, que outrora retrógados e preconceituosos do sec.XIX, como a “Psicopathia sexuallis” de Kraft Ebing, que diluiriam qualquer estereotipo de persona, pela culpa, por muito escrupuloso que se fosse.
   Os espíritos, se aproximaram mais da sexualidade, como característica constituída do desenvolvimento psíquico do Ser do que de sexo, e sua postura é por demais lucida, por ser evidente.
   A sexualidade é transversal à vida, no seu sentido pleno, não faz apenas jus ao corpo, ao sexo, mas ao espirito; A ação sexual e suas praticas traduzem-se no que o empola, no uso do corpo no que concerne à reprodução e sensualidade.
  A sexualidade é colateral na vida porque seu sentido abraça as expressões criativas, artísticas, afetivas, cognitivas, intelectuais e espirituais.
  O polo divergente está nessa confusão sexo conotado apenas ao gozo efêmero e lascivioso, com a realidade energética, nos valores da vida e sua profundidade educativa.
  Não nos podemos reter na obtusidade, precisamos ver mais além e enterrar os confessionários e a visão prostituida da sexualidade.
   A sexualidade é importante no processo do progresso da consciência e no bem-estar do Ser humano.
  Hoje, já se tornou numa ciência multidisciplinar; a Estética, Ética, Biologia, Genética, Filosofia, Psicologia, Antropologia e Medicina, são áreas que atuam transversalmente para dar crescimento ao conhecimento.
  Se dogmatizarmos a forma natural de tratar a sexualidade humana, estaremos a cair na escala dum primitivismo medonho e da ignorância.
   Ensinar e educar é postura decisiva para no sentido espirita acabar com a exclusão e o preconceito e exaltar a responsabilidade e estimular o estudo de forma a tornar mais claro todo este processo de crescimento moral, espiritual e intelectual.
5. Energia sexual
   Hoje neste período regulamentar da vida, já sabemos que a embriologia, através do seu estudo, encontrou no gene feminino a matriz, para todo desenvolvimento universal, daí a devermos tributo às orientações cristicas de respeito pelos valores da mulher.
   Apesar de ainda existir uma expressão patriarcal, ela tende a dilui-se e a equilibrar as sociedades, onde haja maior tolerância e amor de uns pelos outros.
     Ora o Ser humano na ótica espirita é visto de forma integral, existencial e ativa
( Reencarnação, Leis Morais, Influências cambiais entre as energias que nos envolvem , deste e doutro mundo )
   Emmanuel nos diz; “ Não proibição, mas educação, não abstinência imposta, mas emprego digno, com o devido respeito aos outros e a si mesmo ,não indisciplina, mas controle, não impulso livre, mas responsabilidade.”
    Na organização do sexo é dessa forma que devemos caminhar, sentindo que estamos a falar pelos mecanismos da reencarnação, vigente como sexo à luz do amor e da vida, serão sempre pontos a contar na consciência de cada Ser.
     E então falando de infertilidade e esterilidade Emmanuel deixa-nos esta nota;
    “No quadro de interpretações da Terra, a esterilidade e a fecundidade podem indicar situações de prova para as almas que se encontram em experiências edificadoras; todavia, se considerarmos a questão no seu aspecto espiritual, somos obrigados a reconhecer que a esterilidade não existe para o espírito que, na Terra, ou fora dela, pode ser fecundo em obras de beleza, de aperfeiçoamento e de redenção.”
      A provação e expiação estão sempre interligadas a esta situações de esterilidade e infertilidade, porque as recônditas pretéritas ,pelo obsceno e abuso das energias para campos que não os do amor, mas da sensualidade, daí  essa visão. No entanto quando se diz que a esterilidade não existe para o espirito, cá e lá do nos hemisférios espirituais, quer com isto dizer, que pela s obras  nos podemos tornar fecundos, pois o limiar do aperfeiçoamento passa pela valorização do corpo e de suas energias , cambiando as mesmas para a virtude, sendo por isso quando provação , campo de crescimento do espirito.(Grifos Meus)
     A infertilidade passa pelos dois sexos, ela com isso demonstra que a sua presença é reflexo do planeamento exercido com as energias no intercambio do amor.
     Mas o que é a energia sexual?! Tomemos uma fonte, na sua nascente fresca e generosa. Contudo, durante no seu curso aspira as impurezas dos homens e dos animais, poluído. Logo quem polui é o homem, pois na sua raiz de essência ela mantem-se límpida. Os espíritos instrutores, nos alertam que a energia sexual é responsável pela união de dois seres e, consequentemente, pela formação da Família, possibilitando a encarnação dos espíritos, tão necessária e importantíssima para a sua evolução.
    Nós obstinamos seguir nas diversas reencarnações uma definida polaridade sexual.
   A evolução se processa pelo exercício do espírito nas duas faixas sexuais.
   A esterilidade é de igual situação para ambos sexos, tudo porque a sementeira é livre, porém a colheita é obrigatória.
    A Doutrina Espírita nos ensina através do axioma causa e efeito que tudo o que fazemos de bom ou maldoso reflete-se em nós mesmos. A esterilidade é consequência do mau uso das funções energéticas sexuais, a exemplo, aborto, promiscuidade, mau trato de filhos, de Pais, enfim terá sempre como peso a conduta de cada Ser no uso da sexualidade. O estéril de hoje , fomentou desordem sexual , ontem.
As principais causas de infertilidade feminina e masculina variam de caso para caso, mas dentro das mais presentes estão ;.
Útero, por malformações adenomiosis , infecções e tumores; Cérvix (pescoço) por malformações, endometrioses, cirurgia, infecções e tumores; Trombas, por obstrução originada principalmente por endometrioses, infecções, malformações e tumores; Doença Inflamatória Pélvica, por infecções; Ovários, por tumores quistos e endometrioses; Vagina, por alterações do monco cervical, alergia, infecção, traumatismo, lubrificantes, etc.; Doença crônica como colagenosis; Antecedentes de exposição materna a dietylstilbestrol (DÊS); Doenças da Tiroides; Hiperprolactinemia, causada por tumores hipotalámicos, medicamentos e fatores metabólicos; Obesidade; Perda de gordura corporal, especialmente por exercício intenso; Stress, tanto físico como psicológico, que frequentemente está associado a alterações físicas; Anorexia ou Bulimia; Drogas; Doenças hepáticas que afetam o metabolismo dos estrógenos; Doença supra-renal ;Diabetes
Muito frequentemente coexistem várias das causas anteriores e deve recordar-se que encontrar uma causa não rejeita a presença simultânea de outras.
Emmanuel, na lição 27, do livro "Dos Hippies aos Problemas do Mundo" 1, nos diz: (...) "o amor como fonte divina de manifestação de Deus é o oceano de forças em que nós todos vi­vemos, porque nós todos vivemos num oceano de amor, mas que o sexo é res­ponsável quando instrumento do amor. Portanto, as nossas ligações de natureza sexual devem obedecer ao critério da lei, da palavra empenhada, do compromisso, da monogamia enfim, embora nos amemos infinitamente uns aos outros, mas no terreno do sexo o amor precisa represas para que ele não faça uma inundação des­trutiva, criando calamidades sentimentais suscetíveis de arrasar a família, com a nossa organização social. O amor vindo de Deus é livre, mas no sexo, ele, o amor, é responsável" .
A energia sexual, como saída da lei de afinidade, na consumação das espécies, é essencial e adequada vida, produzindo aditivos magnéticos nos seres, em expressão das capacidades criadoras de que se envolve. No entanto a nível dos Seres primitivos, posicionados no inicio dos valores da emoção e do entendimento, no estagio bruto surge como que voluntariamente, essa mesma energia, atua no organismo irrefletido. Claro que isso vai trazer dissabores através da expiação, e ao aprisionamento em experiências infelizes, nas quais, aos poucos a vida se encarrega de lhes mostrar que todo excesso que fira alguém lhe será cobrado, apenas a ele.
A personalidade vai evoluindo, passa a entender  que o sexo solicita o imperativo de discrição e responsabilidade no seu uso, daí a ter que ser disciplinado por valores morais garantindo o emprego digno, seja na procriação ou nas expressões, artística, intelectual , comportamental, permitindo a evolução espiritual do ser humano .
       O sexo, é Mundo de fluidos que devem ser ativos, mas dentro dos valores do amor e da essência da razão e bom senso. Logo a felicidade dependerá sempre da forma que o usares.
6. Reencarnação
    A reencarnação, é um novo estagio no seguimento do processo de evolução ou de retificação. Sabemos que os organismos mais perfeitos da Terra resultam inicialmente da ameba. No desenvolvimento embrionário, o corpo fisico do Ser humano em nada difere na formação de outra classe animal. A distinção da configuração está no desenvolvimento evolutivo, demonstrado pela densidade perispiritual do Ser. Daí que na volta o espirito tem que recapitular as experiências vividas no percurso do seu aperfeiçoamento,
    A volta dos espíritos ao Plano Terrestre processa-se em moldes uniformizados para todos, no ciclo das revelações simplesmente evolutivas. A alma elevando-se moralmente, espiritualmente e intelectualmente, retem maior responsabilidade e isso faz com que o processo de reencarne seja mais complexo.
  Ora se pela reprodução se faz viável a reencarnação, é também natural que a influência arbitral da infertilidade, esteja dentro dos parâmetros provatórios e expiatórios, pela Lei de Afinidade e estagio de desenvolvimento do espirito, na ação sexual e consequente postura nas vivências anteriores. Logo no processo da infertilidade temos também o merecimento e a sua programação atende ao uso do livre-arbítrio..
       
7. Programação reencarnatória
Ninguém nasce por acaso, bem como o que nos acontece também não. Não é questão de sorte ou azar, mas de merecimento, de escolhas, de carências a diluir e a remir.
O livre-arbítrio quando nos encontramos desencarnados, consiste na escolha do gênero de existência e da natureza das provas, mas também a estancia consciência evolutiva moral e intelectual que detemos, elos estes, básicos da chamada programação reencarnatória que a Doutrina Espírita demonstra nas questões 258, 262 e 872 d’ O Livro dos Espíritos.
Importante no entanto dizer que existem meras exceções na generalidade da escolha que são mencionadas pelos Espíritos Superiores. Uma, quando o Espírito em sua origem não tem experiência suficiente pelo seu primitivismo. A segunda, quando, por sua inferioridade ou renitência, não está capaz de abranger o que lhe é mais proveitoso. Aqui pode entrar a imposição compulsiva por inerência da insensatez.
     O planeamento da reencarnação na generalidade assegura Manoel P. de Miranda no livro “Temas da Vida e da Morte”(1), “existem estabelecidos automatismos que funcionam sem maiores preocupações por parte dos técnicos em renascimento, e pelos quais a grande maioria dos Espíritos retorna à carne, assinalados pelas próprias injunções evolutivas. “
     A conduta do Ser humano interfere na programação de sua vida. (grifos meus)
No mesmo livro citado em (1), o autor nos adverte;
    As causas que influem na existência humana: “as próximas, ocasionadas na encarnação presente em que a pessoa se movimenta, e as remotas, que procedem das ações pretéritas.“

    Então pelo livre-arbítrio através do axioma causa e efeito, cada um receberá segundo as suas obras seja, o campo é livre, mas a ceifa é obrigatória.
    A relação maior de causa na infertilidade deve-se a compromissos contraproducentes no mau uso do livre-arbítrio, como vícios e excessos com a toxicidade (álcool, estupefacientes, tabagismo), promiscuidade sexual, aborto e postura relacional não condizente com os valores de Cristo, isto a nível da escola familiar.
    A grandeza Divina não equacionou nada ao acaso, em tudo demonstra amor, justiça e caridade e onde se possa insurgir provação e expiação, sempre existe uma forma consequente pelo amor e vontade de reajustar a carência e abrir caminho a novas oportunidades.

       8. Meios de vencer a infertilidade
A evolução da cientifica, apesar de nem sempre resolver, está bastante avançada, e os casais privados  de serem Pais, podem por vários meios sê-lo. Sabemos que as alterações genéticas graves num casal, como falta do útero podem ser causas que impeçam essa ambição e não podemos deixar de lembrar que o merecimento tem sempre reflexo em todos os processos e a Lei causa e efeito se faz sempre presente, mas as possibilidades estão sempre em aberto. Temos então os meios de romper esse véu;

Inseminação intra-uterina 
Tratamento Hormonal 
Microcirurgia
Injeção intracitoplasmática 
Adoção
Inseminação intra-uterina - É a técnica menos invasiva e é geralmente confundida com a Fecundação in vitro. Recorre-se a esta técnica quando existe uma obstrução de trompas ou condutos, um problema nos ovários ou ainda se o esperma é de baixa qualidade.

Tratamento Hormonal - O homem ou para a mulher, ativa a produção e melhora a qualidade dos óvulos ou dos espermatozoides. O seu êxito depende da técnica de reprodução assistida que se utilize a seguir (Inseminação intra-uterina ou FIV- Fecundação in vitro).

Microcirurgia - Uma intervenção que consiste em eliminar mediante um cateter a obstrução da trompa (na mulher) ou o conduto do sêmen (no homem). Esta intervenção é realizada com anestesia geral.
Injeção intracitoplasmática – É a técnica mais atual e utiliza-se quando o sêmen não é rico em espermatozoides, ou ainda, quando estes são de baixa qualidade. É uma técnica muito semelhante à da Fecundação in vitro. Enquanto que com a Fecundação in vitro, se juntam os óvulos aos espermatozoides numa proveta, com esta técnica, introduz-se diretamente no interior do óvulo um só espermatozoide. Esta técnica é realizada com uma micro agulha e um microscópio de alta precisão.
   Adoção - Os casais que, após várias tentativas não conseguem ter filhos, podem optar pela adoção.   Os Pais terão é de ser pacientes pela morosidade da legalização do ato. As crianças devem ser adotadas o mais cedo possível, o ideal seria até aos 2 anos, contudo existem adoções com bastante sucesso após esta idade. O amor ajudará a superar as carências que possam existir na criança ,seja pelo abandono dos Pais, maus tratos e todo gênero de frustrações que possam ter passado.
  Ora é um ato de enorme responsabilidade e autruismo que se faz louvável.
9. Conclusão
   Quando falamos em infertilidade verificamos que não podemos separar as emoções, sentimentos e frustração de quem não consegue conceber.
   É uma luta de coração e psiquismo, que transporta os alvejados para um teste pela necessidade de valorizar a vida e de tudo que ela envolve.
  O amor necessário para albergar a grandeza da maternidade é muito importante e o culminar da beleza da gestação dando prioridade à reencarnação de um espirito..      Se não existisse esta possibilidade a evolução se deteria sem finalidade, sem sentido ou direção.
   Deus nada criou ao acaso, mesmo perante as fraquezas das almas, não lhes destitui a oportunidade de poderem dar cumprimento à sua vontade, apesar de carregados de angústia e a falta de maternidade direta, existem sempre outras formas pelo merecimento de conquistar a mesma. Claro que o vazio reprodutor, deixa marcas, mas essas são as opções para crescimento, pela renúncia e amor.
    A reencarnação vai dar fundamento a todo o nosso desenvolvimento moral e intelectual. Sem ela, a existência física perderia a perspectiva de uma vida futura, o que nos levaria ao materialismo severamente cego, com ela, todo a dor  descobre a sua elucidação lógica, reacendendo, assim, a esperança no porvir.
  A vida em Família e o relacionamento entre espíritos e afins , é por demais importante no cambio de valores de crescimento. É na Família que o reajuste do reencontro se consuma e reativa a busca educativa da personalidade.
    A impossibilidade de gerar um filho agita profundamente homens e mulheres, ainda que não na mesma proporção. Uma das prioridades é retirar o sentido culpório da mulher. assim como a responsabilidade, até porque ela pode partir de qualquer lado..
    Sabemos que existem as opções cientificas para poder reproduzir, mas até esta situação é uma amargo para os Seres., porque além de ser um processo moroso a taxa de possibilidade é mediana e 25% dos casais, vive com ansiedade, os enumeros minutos de espera são de receio de falhar, de angústia, na esperança de vingar a concepção.
   Aos Pais pede-se amor, compreensão e fé, pois se houver  merecimento a vida vencerá.
   “ A vida restabelece a ligação de elos vinculativos de amor ou dor, mas tem na razão e bom senso uma unica verdade, sem amor ninguém será feliz”. Cravo
   Amai-vos, perdoai, sensibilizai-vos que esta passagem é um momento, onde o próximo se regista na nossa vida para comungar de valores de crescimento pela renuncia e tolerância.
   Conhece-te a ti mesmo, restabelece a vontade de mudança, deixa que os fluidos do amor prosperem e terás sempre o amparo , porque o “Pai não fecha uma porta com que não abra uma janela”.
  A vida terá sempre a sua oportunidade, no reparo do ontem, na vivência do hoje , para no amanhã estar à altura.

   10. Bibliografia
 http://omeubebe.web.simplesnet.pt/index.htm
http://www.apfertilidade.org
http://www.centrodefertilidade.com.br/
http://www.slideshare.net/drsujnanendra/why-sex-education-presentation
http://www.sitemedico.com.br
http://www.portaldafamilia.org/index.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Infertilidade
http://www.fertilityportugal.com
http://www.ceti.pt/
http://www.nervespiritismo.com/
www.espirito.org.br
http://www.panoramaespirita.com.br  
http://www.forumespirita.net
http://www.movimentoespirita.org/meo/blog/
http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=06661
http://pt.wikipedia.org/wiki/Categoria:Sexualidade
http://www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/informacoes+uteis/grav...
http://www.juventude.gov.pt/SAUDESEXUALIDADEJUVENIL/Paginas/default...
http://www.portaldareencarnacao.com/
http://www.ceismael.com.br/artigo/reencarnacao.htm
Acervos de Livros revisados
Louis Neilmoris.
Livro “Sexualidade Sob um Olhar Espirita",
Francisco Candido Xavier 
Livro “Sexo e Vida”  ditado pelo espírito Emmanuel, Cap. IX e X. (como ocorrem as reencarnações coletivas, como as famílias são agregadas e preparadas para suas reencarnações).
“Missionários da Luz”. Rio de Janeiro : FEB. (todo o processo reencarnatório é apresentado aqui em detalhes surpreendentes. Valioso trabalho).
“Evolução em dois mundos”. Rio de Janeiro : FEB. Cap. XIX. (e vários outros).
Allan Kardec
Livro Dos Espíritos
Livro da Gênese
Manoel P. de Miranda
Livro “Temas da Vida e da Morte”
Deolindo Amorim. 
 “O Espiritismo e os problemas humanos”. São Paulo : USE, cap. V – Reencarnação e desigualdades.
 Jorge Andrea  
“Forças sexuais da alma”.  Ed. Fon-Fon. Cap. II (vórtices espirituais).;
“Paligênese: a grande Lei”.   Cap. Caminho da Libertação.;
“Psicologia espírita”.  5.ed. Petrópolis : LORENZ, 1991. vol 1. cap. transplantes.
Leon Denis.  
“Depois da Morte”. Rio de Janeiro : FEB. Cap. XLI.
“O problema do ser, do destino e da dor”. Rio de Janeiro : FEB. 1993. Caps. XIII a XIX.
Alfredo Miguel.  
“A tese das vidas múltiplas”. São Paulo : LAKE. (todo um estudo sobre esta tese)..
Adenáuer Marcos Novaes. 
 “Reencarnação: processo educativo”. Salvador : Fundação Lar Harmonia, 1955. (esta obra apresenta um verdadeiro resumo das mais importantes pesquisas e pesquisadores deste tema).
Martins Peralva.
 “O pensamento de Emmanuel”. . Rio de Janeiro : FEB. Caps. Paligenesia; Fases da Reencarnação.
Agelisau N. P. Ramos 
“A reencarnação na Bíblia”.  Recife : Companhia Editora de Pernambuco, 1985.
  Carlos Alberto Tinoco. 
“ O modelo organizador biológico”.  Curitiba : Veja, 1982. (esta obra apresenta um estudo profundo sobre a formação genética do ser humano, com variadas imagens comparativas e cálculos matemáticos)
  Divaldo Franco
     “Antologia Espiritual” – Diversos espíritos – Salvador : Leal, 1994. cap.  III – Reencarnação e progresso / Morte e ressurreição.
“Dias Gloriosos” – Joanna de Angelis – Salvador : Leal, 2000. (Clonagem, transplantes, Criogenia, renascimento).
“Enfoques Espíritas” – Vianna de Carvalho – Salvador : Leal, 1995. (Reencarnação: ato de justiça)
“Leis Morais da Vida” – Joanna de Angelis – Salvador : Leal, 1992. cap. IV. – afinidade e sintonia.
Momentos de Consciência – Joanna de Angelis. Salvador : Leal. Cap. X.
“O homem integral”. – Joanna de Angelis. Salvador : Leal.  cap. VIII.
“Reflexões Espíritas” – Vianna de Carvalho – Salvador : Leal, cap.  XII.
 SOS Família – Joanna de Ângelis – Salvador : Leal, 1994. diversas mensagens.
 Stanislav.  Grof,
“A mente holotrópica. Novos conceitos sobre Psicologia e pesquisa da consciência”.  Rio de Janeiro : Rocco, 1994.  cap 5 – Experiência de morte e renascimento.
 Helen. Wambach,
 “Recordando vidas passadas”.  São Paulo : Pensamento, 1978.
Brian Weiss. 
 “A divina sabedoria dos mestres”.  Rio de Janeiro : Sextante, 1999. cap. 2.



sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Mediunidade bênção de Deus


José Francisco Costa Rebouças

Os espíritos superiores nos ensinam que a mediunidade está na terra desde os primeiros processos da manifestação do homem no planeta, e que nem mesmo nos momentos mais difíceis dos acontecimentos históricos, políticos, sociais etc..., por que passou a humanidade, em que muitos serviram de mártires, a mediunidade não recuou diante da tirania e da ignorância dos poderosos da época, que perseguiram homens e mulheres que foram barbaramente supliciados até a morte por serem provas vivas da verdade espiritual.

Muitos dos primeiros cristãos, médiuns de valiosos recursos mediúnicos, foram mortos da maneira mais bárbara possível, alguns traspassados por flechas incandescentes, outros foram cozidos vivos em azeite fervendo, outros jogados às feras nos espetáculos circenses para serem devorados vivos sob o aplauso da turba romana, patrocinados pelos imperadores sanguinolentos.

Mas, apesar de tudo, o Cristianismo seguiu conduzidos pelos benevolentes trabalhadores do Cristo, e grandes vultos da história do cristianismo surgiam, os profetas se multiplicavam, os fenômenos mediúnicos invadiram até mesmo a história da Igreja, pois muitos dos seus Santos foram méduins na terra, podemos citar Santo Agostinho, São Luiz, etc.., e outras tantas personalidades da humanidade conhecidas em toda a terra entre elas Joanna D’arc.

No livro dos médiuns, Capítulo XXXI - item XI, o espírito Pedro Jouty nos esclarece a esse respeito dizendo: ““O dom da mediunidade é tão antigo quanto o mundo. Os profetas eram médiuns. Os mistérios de Elêusis se fundavam na mediunidade. Os Caldeus, os Assírios tinham médiuns. Sócrates era dirigido por um Espírito que lhe inspirava os admiráveis princípios da sua filosofia; ele lhe ouvia a voz. Todos os povos tiveram seus médiuns e as inspirações de Joana d'Arc não eram mais do que vozes de Espíritos benfazejos que a dirigiam.

Esse dom, que agora se espalha, raro se tornara nos séculos medievos; porém, nunca desapareceu. Swedenborg e seus adeptos constituíram numerosa escola”.

Foi então que na primeira metade do século XIX os fenômenos mediúnicos abalaram a comunidade científica na América e na Europa, pois as mesas dançavam, e a presença dos fenômenos que se alastravam falavam à razão humana da existência de mais um enigma a ser decifrado pelos sábios e estudiosos.

Deus, então, por sua infinita misericórdia e bondade, fez surgir o sol fulgurante da verdade e, era necessário uma alma de escol, para recebê-lo e interpretá-lo sob uma nova ótica, diferente daquela até então utilizada pelos cientistas da época, inteiramente voltada para o materialismo.

Surge nesse grave momento, o extraordinário espírito incumbido de tão grande e sublime missão, o codificador Allan Kardec que empregou toda sua genialidade e cultura científica milenares, na organização dos ensinos ministrados pelos Imortais do mundo maior, lançando os livros contendo a filosofia, a ciência e a religião espírita.

Daquele momento em diante, a mediunidade deixava de ser mística e sobrenatural, para ser entendida como mais uma ferramenta de que o ser humano pode se utilizar, de maneira positiva, em benefício próprio e do seu semelhante.

Hoje, esclarecidos pela terceira revelação, podemos entender que a mediunidade é coisa sagrada, que deve ser praticada de maneira digna e responsável, exercida com devotamento, discrição e humildade, no anonimato em benefício da humanidade.

Os médiuns, não são seres privilegiados em missão na mediunidade, são sim na maioria das vezes, seres endividados e em necessárias provas e rígidas expiações a caminho da sua própria regeneração diante das Leis eternas e imutáveis que regem o destino dos seres humanos.

Para finalizar, recorreremos mais uma vez ao Livro dos Médiuns, ainda no Capítulo XXXI, onde encontramos a comunicação que abaixo transcrevo, como seguro ensinamento para todos que laboramos nos trabalhos que a mediunidade nos premia e que precisamos saber dar o devido valor.

“Todos os homens são médiuns, todos têm um Espírito que os dirige para o bem, quando sabem escutá-lo. Agora, que uns se Comuniquem diretamente com ele, valendo-se de uma mediunidade especial, que outros não o escutem senão com o coração e com a inteligência, pouco importa: não deixa de ser um Espírito familiar quem os aconselha. Chamai-lhe espírito, razão, inteligência, é sempre uma voz que responde à vossa alma, pronunciando boas palavras. Apenas, nem sempre as compreendeis.

Nem todos sabem agir de acordo com os conselhos da razão, não dessa razão que antes se arrasta e rasteja do que caminha, dessa razão que se perde no emaranhado dos interesses materiais e grosseiros, mas dessa razão que eleva o homem acima de si mesmo, que o transporta a regiões desconhecidas, chama sagrada que inspira o artista e o poeta, pensamento divino que exalça o filósofo, arroubo que arrebata os indivíduos e povos, razão que o vulgo não pode compreender, porém que ergue o homem e o aproxima de Deus, mais que nenhuma outra criatura, entendimento que o conduz do conhecido ao desconhecido e lhe faz executar as coisas mais sublimes.

Escutai essa voz interior, esse bom gênio, que incessantemente vos fala, e chegareis progressivamente a ouvir o vosso anjo guardião, que do alto dos céus vos estende as mãos. Repito: a voz íntima que fala ao coração é a dos bons Espíritos e é deste ponto de vista que todos os homens são médiuns”.

Fonte: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/mediunidade/mediunidade-bencao-de-deus.html